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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Um triste (re)encontro de amigos


Na passada sexta-feira dois amigos de longa data, por sinal um "casal" de irmãos, abriram um pequeno bar na Marina Sul da Expo. Creio que foi a solução que ambos encontraram para combater a situação de desemprego em que actualmente se encontravam. Tendo estado afastado de Lisboa há cerca de um ano e meio, esta inauguração revelou-se a oportunidade ideal para reencontrar velhos amigos e conhecidos que, de certa forma, cresceram comigo e, consequentemente, cujo percurso acompanhei.

Ainda que tenha apreciado bastante a companhia de todos, que ache o local bastante agradável e que, provavelmente, serei um cliente frequente, fiquei um pouco triste por saber das dificuldades porque muitos agora passam. Para além dos donos fiquei a saber do GC que está há dois anos desempregado, e nas suas próprias palavras já tentou de tudo, tendo ido a entrevistas de todas as maneiras e feitios - com barba, sem barba, bem vestido, mal vestido, só lhe falta ir nu; o PL, recém-casado, cujo contrato está a terminar e vê como solução a emigração para Bruxelas deixando em Lisboa a esposa; o FP também um desempregado de longa duração e que aos 47 anos já lhe restam poucas hipóteses de o deixar de o ser; e, por último, posso falar do meu caso, que sempre me vou safando, umas vezes melhor, outras pior, todavia, sempre sem quaisquer direitos daqueles que alegadamente foram "adquiridos" como, por exemplo, subsídio de férias, de desemprego ou qualquer tipo de assistência na doença. 

Infelizmente podia dar muitos mais exemplos mas fico-me por estes.

Fizeram tão mal ao país e, sobretudo, aos seus filhos mais jovens. Que iremos nós fazer perante tudo isto?

P.S. - Penso que pelo menos os proprietários deste espaço vão ter sucesso. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Se isto não chega tens Portugal ao contrário


A banda portuguesa Xutos&Pontapés têm uma música chamada "O Mundo ao contrário". Nem gosto particularmente da referida melodia, mas acho que se adequa na perfeição na transcrição que vou fazer de uma notícia hoje publicada no Público:

"Enquanto a taxa de emprego dos jovens com o ensino secundário praticamente não se alterou, a quebra no grupo dos licenciados com menos de 25 anos foi de quase 20%. Elísio Estanque, sociólogo e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, não considera estes dados surpreendentes e relaciona-os com "a falta de modernização e de inovação do tecido empresarial português, excepcional a nível europeu".

"Estamos a falar de um país em que os patrões são menos qualificados do que os empregados e onde se chega ao ponto de alguns jovens se sentirem constrangidos a omitir que têm uma licenciatura para conseguir um emprego, por estarem cientes de que o empregador optará por aquele que tiver menos qualificações", comenta Elísio Estanque."


Reformulando a letra daria algo do género:

Se te esforçaste mais,
Se trabalhaste mais,
Se isto não chega tens Portugal ao contrário

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O governo convida à emigração


Por duas ocasiões membros do governo incentivaram os portugueses a emigrar. A primeira, através do Secretário de Estado da Juventude, direccionada aos jovens e, a segunda, por intermédio do Primeiro-Ministro, dirigida aos professores.

Sinceramente estas declarações provocam-me um sentimento misto. Por um lado, aprecio a honestidade do governo que, pelo menos por agora, não procura iludir o povo apresentando a dura realidade em que vivemos. É uma marca deste governo, na minha opinião positiva, que contrasta com a propaganda mentirosa do governo anterior que a esta altura estaria a dizer algo completamente irrealista como a diminuição drástica do desemprego já durante 2012.

No entanto, por outro, deixa-me triste, desiludido, zangado e revoltado. Estando dentro do grupo "convidado a sair", por ser "jovem", qualificado e desempregado, sinto-me descartável e indesejado no país em que cresci e em que reside tudo aquilo que mantém a minha vontade de viver. É como se estivesse numa festa e a organização me convidasse a sair. Chega-me a dar vontade de renunciar à cidadania portuguesa, se tal fosse possível para quem, como eu, não ter qualquer outra nacionalidade. Isto para não falar na forma brutal que o país é prejudicado se abdicar de grande parte do seu número já de si reduzido de jovens e, simultaneamente, dos seus quadros qualificados.

Além disso emigrar obriga a um esforço considerável. Tenho um primo doutorado que emigrou para os EUA - daqueles que o presidente da FCT, João Sentieiro, diz que não existem -, estando agora na Universidade de Nova Orleães e sei o sacrifício que ele faz diariamente ao ver-se privado da sua família. É, portanto, muito confortável "mandar" os outros emigrar quando estamos sentados no poleiro conquistado à custa do partido e de um sistema político corrupto.

E aqueles que estão na mesma situação que eu, o que sentem quando vos apontam a porta da rua?