A partir da época moderna e, sobretudo, após a Revolução Industrial, os pequenos países do continente europeu lideraram o mundo do ponto de vista militar, político, económico, etc. Com o final da Segunda Guerra Mundial, dois gigantes passaram a disputar o anterior predomínio europeu, contudo, um deles é um país essencialmente europeu (União Soviética) e outro, em grande medida, uma extensão da civilização europeia (Estado Unidos).
No entanto, seria uma questão de tempo até novos actores surgirem na política internacional. Assim, bastou que China, Brasil e Índia se desenvolvessem um pouco mais para, devido às duas dimensões continentais, passarem a ter um peso decisivo dificilmente ao alcance de países 10 e 20 vezes mais pequenos.
É esta a situação em que nos encontramos hoje. Mesmo a Alemanha é um país relativamente pequeno se compararmos os seus 80 milhões de habitantes com os 180 milhões do Brasil, os 1200 milhões da Índia ou os 1300 milhões da China. Neste panorama, Portugal com os seus 10 milhões de habitantes distribuídos por escassos 90 mil km2 é pouco mais do que uma pulga.
A questão se coloca é então a seguinte: Querem os europeus a continuar a ter uma palavra decisiva na forma como o mundo funciona? Se sim então a única solução é criar um estado federado que consiga competir com as grandes potências emergentes. No seu conjunto a União Europeia tem quase 500 milhões de habitantes e é de longe a primeira economia do mundo.
Por muito que seja doloroso para alguns países da dimensão de Portugal simplesmente já não fazem sentido. Tiveram o seu tempo, quando a viagem de Lisboa a Santarém demorava um dia a cavalo, mas para mim Portugal é já um anacronismo.
Eu prezo imenso a cultura europeia responsável por um dos principais garantes do bem-estar social: a liberdade. Por maiores atropelos que existem e que tenham existo num passado recente à liberdade na Europa, se compararmos com civilizações como as do Extremo Oriente, África ou até América do Sul, facilmente chegamos à conclusão do que vai acontecer ao mundo quando os centros de decisão passarem para qualquer um destes continentes.
Eu não pretendo viver num mundo em que a civilização europeia não tenha um papel preponderante, e como tal faço votos que esta crise nos leve, por fim, até ao federalismo.