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domingo, 27 de novembro de 2011

É o país que temos!

Esta expressão é utilizada vezes sem conta sempre que alguém se quer queixar de algo mas, mais frequentemente, quando se pretende queixar de entidades públicas ou da falta de civismo dos portugueses.

Sinceramente é uma expressão que já me começa a enjoar, apesar de eu próprio já a ter usado. O país que temos é composto por nós próprios, pelos políticos que elegemos e pelas instituições das quais fazemos parte. Pode parecer uma verdade de "La Palice", mas de facto a mudança começa por cada um de nós, nas nossas atitudes e nos exemplos que damos à sociedade.

Serve toda esta argumentação evidente, que todos nós já ouvimos e repetimos vezes sem conta, para denunciar uma situação que a mim me faz uma tremenda confusão. Um dos princípios cívicos que, na minha opinião, é mais urgente implementar, num planeta com gravíssimos problemas ambientais, é o da reciclagem. Infelizmente esta prática ainda não está totalmente enraizada apenas, na grande maioria dos casos, por comodismo e egoísmo para com as novas gerações.

Mas se a reciclagem deve ser o mínimo, colocar o lixo no lixo é absolutamente obrigatório! É aliás uma questão de saúde e higiene pública. Infelizmente em Ponte de Sor ainda existem pessoas que neste aspecto vivem no século XIX, fazendo da via pública o seu caixote do lixo particular.

Exemplo disso mesmo é o pátio interior do bloco de prédios junto ao Centro de Saúde que se situam entre a Rua Cardeal António Ribeiro e a Rua Manuel Adegas. Ontem apanhei uma das poluidoras deste espaço que do seu terraço particular, ao início da tarde, ou seja, em plena luz do dia, e sem quaisquer pudores, atirou algumas caixas de cartão para a rua.

Espero que esta senhora tenha o bom senso de apanhar o seu próprio lixo. Neste momento já passaram 36 horas desde a indesejável "descarga". Vou aguardar uma semana e, caso a situação se mantenha, vou alertar a respectiva proprietária e divulgarei a sua identidade visto que parece ser mãe do membro masculino de um dos mais emblemáticos casais pontessorenses.



domingo, 20 de novembro de 2011

A fraca argumentação dos aficionados



Eu não sou apreciador da tradição tauromáquica portuguesa, acho um espectáculo sem qualquer interesse visto que se traduz no massacre e sofrimento de um dos intervenientes que é obrigado a estar presente - o touro. Não que seja um pacifista, pois não só considero que a resolução por intermédio da violência de algumas situações é, infelizmente, a única solução, como pratiquei com prazer desportos de combate. No entanto, existe uma grande diferença entre assistir a um combate entre duas pessoas que o fazem de forma consciente e livre, e assistir à tortura de um animal.
Do vasto leque de argumentos dos aficionados a grande parte são absolutamente ridículos, um é discutível e o único que, na minha opinião, é aceitável raramente é referido. Eis um resumo daqueles que costumo ouvir:

- É absolutamente absurdo defender a tourada com base de se tratar de uma tradição, visto que pelo simples facto de ser uma tradição não torna a sua prática legítima de qualquer ponto de vista, muito menos do ponto de vista moral.

- Argumentar que o touro não sofre é uma tremenda mentira e creio que só uma criança de muito tenra idade poderá acreditar nisso.

- Referir que o touro não qualquer utilidade para além de ser lidado, é pressupor que a natureza apenas existe para nos servir. Infelizmente esta concepção do planeta tem-nos levado a um caminho de auto-destruição ambiental, que ao ritmo actual nos irá levar à extinção.

- O primeiro argumento a que posso conceder alguma legitimidade é que a tourada tem um impacto económico em determinadas regiões não desprezível e, consequentemente, a sua extinção levaria à ruína alguns agentes económicos (não faço ideia de quantos).

- Por último, o único motivo que realmente admito que alguém defenda a tourada é que gosta e ponto final. O aficionado diverte-se perante um espectáculo de sangue e sofrimento animal e pouco mais há a acrescentar. Contudo, raramente tenho-o ouvido talvez por ser politicamente incorrecto. A tourada não é o meu estilo e até me enoja, mas tenho que respeitar. Eu também gosto de boxe, k1, vale-tudo, o que certamente choca e enoja outras pessoas mais sensíveis nesse aspecto.

De qualquer forma preferia que as touradas terminassem de uma vez por todas, mas não farei qualquer campanha por isso pois, por um lado, considero que existem questões muito mais pertinentes a serem resolvidas na sociedade portuguesa e, por outro, não me sinto na legitimidade de julgar o que os outros pensam sobre a tourada.