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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Criando os chaparrais: dois séculos de montado de sobro no Alentejo


No próximo dia 5 de Julho, pelas 16h00, na Biblioteca Municipal de Ponte de Sor, será apresentado o livro da minha autoria «Criando os chaparrais: dois séculos de montado de sobro no Alentejo», através de uma conferência que incidirá naturalmente no conteúdo do mesmo.


O livro, prefaciado pelo Eng. Hugo Hilário, aborda, em pouco mais de 50 páginas, a evolução do montado de sobro alentejano ao longo da história, com o objetivo de conceder ao leitor uma visão geral sobre a «construção» do montado de sobro de uma forma despretensiosa e simples,mas séria e historiograficamente rigorosa.




Este sistema agro-florestal (e ecossistema), tal como ele se apresenta hoje – sem dúvida a principal imagem identificadora de grande parte do Alentejo –, não é mais do que o resultado de séculos de ações e transformações do Homem sobre a natureza. A uma primeira fase mais marcada pela destruição, opôs-se uma fase de construção do montado de sobro, cujas origens remontam a meados do século XVIII, mas que apenas se generalizou durante o século XIX aquando da valorização da cortiça como produto industrial. A obra acompanha assim as vicissitudes do montado de sobro, com especial incidência nos últimos duzentos anos, dando o devido destaque à ação de entidades privadas, às diferentes intervenções do Estado e, sobretudo, às consequências que daí advieram para um dos mais importantes setores da economia regional e nacional, visto que é em Portugal que o sobreiro encontra as melhores condições no planeta para o seu desenvolvimento.

Integrado na coleção «Chaparando: conversas à sombra de um sobreiro» da editora Apenas Livros, este é o primeiro número de uma coleção composta por «livros de bolso» e exclusivamente dedicada a temas alentejanos.





O livro será vendido pelo preço de 4,35 € e no lançamento será dado um marcador de livros em cortiça.

Por último, deixo-vos ainda um vídeo promocional que fizemos do evento https://www.youtube.com/watch?v=bBgMzaT1vp0

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Misericórdia de Cabeço de Vide: breve passeio pela história

No passado mês de novembro, um dos nossos passeios domingueiros em família incluiu uma breve visita à vila de Cabeço de Vide, que foi sede de concelho até 1855, tendo então passado a freguesia do concelho de Alter do Chão e, mais tarde (1932), do de Fronteira. Um dos edifícios cujo exterior pudemos observar foi o da Santa Casa da Misericórdia de Cabeço de Vide, situado junto da Igreja Matriz e composto pelo Hospital, a Igreja e a Sala dos Mesários da Irmandade (ver fotos abaixo). Como as misericórdias têm sido sempre um dos meus objetos de estudo, partilho convosco algumas informações que tenho recolhido sobre esta em particular.

Conjunto arquitetónico da Santa Casa da Misericórdia de Cabeço de Vide: Hospital, Igreja, Sala dos Mesários e antigo Cemitério. Fonte: indicada na foto.
Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Cabeço de Vide. Fonte: foto da autora.

Segundo os dados disponíveis num dos volumes da coletânea Portugaliae Monumenta Misericordiarum, a Misericórdia de Cabeço de Vide já existia seguramente em 1520. «A 14 de Abril desse ano D. Manuel I, no regimento que dava aos oficiais e tesoureiros da Casa da Mina sobre as ordinárias de açúcar, ordenava que se pagassem duas arrobas de açúcar à Confraria de Cabeço de Vide» (PORTUGALIAE Monumenta Misericordiarum. Coord. científica de José Pedro Paiva. Lisboa: União das Misericórdias Portuguesas, 2002, vol. 3, p. 377).

Na obra Album Alentejano, publicada na década de 1930, diz-se que Cabeço de Vide possuiu dois hospitais, um da Confraria do Espírito Santo e outro da Misericórdia, tendo sido este «um dos mais ricos do Alentejo, irmão gémeo das mais antigas instituições dêste género» (MACHADO, F. S. de Lacerda – «Freguesia de Cabeço de Vide: a sua origem». In Album alentejano. Dir. Pedro Muralha. Lisboa: Imprensa Beleza, [1931], p. 799-800). Aquando a publicação do Album, já só existia este último Hospital, «completamente remodelado e actualisado» (idem). Uma monografia sobre Cabeço de Vide fornece-nos uma descrição do Hospital da Misericórdia: subindo a breve escadaria, corredor largo e arejado, forrado a azulejos, à direita do qual está o Banco; mais à frente, novamente à direita, a enfermaria feminina, com sete camas de ferro e amplas janelas (sala de convívio contígua); à esquerda, a masculina, idêntica; moderna e ampla cozinha (LEAL, João Ribeirinho – Achegas para a monografia de Cabeço de Vide (Portalegre). [S.l.]: Ed. Autor, 1981, p. 93-94).

Por fim, destaco outro aspeto da história desta instituição, designadamente o seu património documental. Segundo o levantamento publicado na coletânea acima citada, o Arquivo da Misericórdia de Cabeço de Vide inclui documentos cujas datas extremas oscilam entre 1516 e 1966, testemunhando a estrutura orgânica, as funções e as atividades da instituição. Uma das séries mais destacadas é a dos compromissos, que constituem o documento regulador das misericórdias. A Misericórdia de Cabeço de Vide possui um exemplar do primeiro Compromisso impresso da Confraria da Misericórdia de Lisboa, de 1516, e outro da impressão de 1662 do Compromisso de 1618 da mesma instituição, cujas normas foram seguidas, embora com adaptações, pela maioria das misericórdias criadas por todo o país. O valor bibliográfico destes documentos, em particular do primeiro, é enaltecido pelos vários autores que escrevem sobre a Misericórdia de Cabeço de Vide. Curiosamente, foi exatamente o exemplar pertencente a esta instituição que encontrámos reproduzido num artigo sobre os compromissos das misericórdias publicado no Boletim da Assistência Social, um periódico oficial dos anos de 1940 que integra a Biblioteca do Arquivo Histórico Municipal de Ponte de Sor (ver imagem abaixo). Aproveitando a ocasião para publicitar, esta Biblioteca será brevemente apresentada no Centro de Artes e Cultura, no dia 18 de janeiro (sábado), pelas 16h00, ficando disponível ao público para consulta.

Imagem publicada no artigo «A actualização do primitivo compromisso das Misericórdias». Boletim da Assistência Social. Ed. Subsecretariado de Estado da Assistência Social. N.º 17 a 19 (Julho a Setembro 1944), p. 220-224. Legenda: «Duas páginas da 1.ª edição do Compromisso da Misericórdia de Lisboa (exemplar pertencente à Misericórdia de Cabeço de Vide)». Publicação disponível na BAHM (Biblioteca do Arquivo Histórico Municipal) de Ponte de Sor.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Portalegre: uma cidade com um património (Visita dia 14 de Dezembro)

Fui pela primeira vez a Portalegre algures em 2003 ou 2004. Visitei os locais que, na altura, me pareceram óbvios: o Castelo, a Sé e pouco mais, tendo ficado com a impressão que se tratava de uma cidade com algum património potencialmente subaproveitado. Mais tarde, entre 2010 e 2011, trabalhei na cidade e foi aí que realmente a descobri. 


Foto 1 - Igreja de São Francisco de Portalegre (Séc. XIV)


Desde património industrial ao gótico, passando pelo Barroco e o Maneirismo, há de tudo um pouco nesta cidade. Um pouco, não! Há de tudo muito. No centro histórico multiplicam-se as casas com janelas e portas góticas, manuelinas e maneiristas. Em cada esquina encontramos um Palácio, uma Fonte, uma Igreja, um pedaço de Muralha, uma Torre do Castelo, uma Chaminé de uma Fábrica com centenas de anos.


Foto 2 - Fábrica Robinson (Séc. XIX)


Só Conventos, de rara beleza estética e arquitetónica, recordo-me, de cor, de três (São Francisco, São Bernardo e Santa Clara), um Colégio Jesuíta - hoje sede da Câmara Municipal - e um sem número de palácios - Barahona, Achiolli, Condes de Vila Real, etc. 


Foto 3 - Palácio Barahona (1800)


Com tamanho património é incompreensível a falta de turistas na cidade, a pouca oferta hoteleira e, sobretudo, o desconhecimento de alguns portalegrenses da sua história. Por todos estes motivos convido os leitores, se assim o desejarem, a virem comigo, no próximo dia 14 de Dezembro, Sábado, a visitarem a cidade de Portalegre. A ideia será, se existir um quórum mínimo de 8 pessoas, visitar o espaço Robinson e a Igreja de São Francisco de manhã e, após o almoço, a rede de património de Portalegre - um roteiro pelos principais monumentos da cidade. Consoante o número de interessados, marcar-se-á um restaurante em conta para o efeito. 

O custo das visitas é de apenas 2 € e a marcação terá que ser feita até dia 7 de Dezembro.



Foto 4 - Janela do Palácio dos Condes de Vila Real (Séc. XVI)

Prevendo que a maioria dos meus leitores norte-alentejanos sejam de Ponte de Sor, parece-me lógico a visita à ainda capital do Distrito. No entanto, uma visita a certos locais de Ponte de Sor também seria bastante frutuosa que, no caso de perceber que existe essa lacuna entre as pessoas com quem me relaciono, será a próxima.

Assim, se estiverem interessados, enviem um e-mail para: cmsaff@gmail.com

Aos lisboetas gostava que viessem descobrir esta cidade e, ao mesmo tempo, Ponte de Sor.