quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O balanço de ano e meio em Ponte de Sor: O Desporto



Quero iniciar a minha avaliação da qualidade de vida em Ponte de Sor salientando um dos aspectos mais positivos: a prática desportiva. Quer devido à iniciativa camarária, quer através da iniciativa privada, tendo ainda em conta a pequena dimensão da cidade - com quase 9 mil habitantes -, em Ponte de Sor consegui manter quase toda a actividade desportiva que realizava em Lisboa.

Por um lado, a cidade está dotada de excelentes equipamentos desportivos nomeadamente dois pavilhões gimno-desportivos, uma piscina semi-olímpica coberta, uma piscina ao ar livre, um campo de futebol e um estádio com pista de atletismo, encontrando-se os referidos equipamentos não só ao dispôr das equipas federadas do concelho - Eléctrico, GEPS, Montargilense -, bem como ao cidadão comum. Assim, várias dezenas de vezes usufruiu da pista de atletismo para correr o que me permitiu reduzir o terrível impacto que a corrida tem na minha coluna e, simultaneamente, saber com exactidão o tempo e a distância que percorri.  

A existência de um ginásio privado possibilitou-me ainda treinar cardio-fitness e musculação. Embora mais pequeno que o ginásio que frequentava em Lisboa e, consequentemente, com menos equipamentos e serviços (sauna, banho turco, kick-boxing, etc.), o Fitness e Forma é um espaço que consegue reunir o essencial do treino de musculação.

Existe ainda um grupo de BTT  (BTT Sor) para quem goste desta actividade, o que não muito do meu agrado pois prefiro pedalar sobre o alcatrão.

Em jeito de conclusão posso afirmar que o desporto em Ponte de Sor é uma realidade para quem o queira praticar. Seguir-se-à a analise da cultura que é negativa embora tenha alguns aspectos positivos a salientar.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O “ouro português”: a evolução do negócio corticeiro em Portugal


(Parte 2: a segunda metade do século XIX)
A segunda metade do século XIX caracterizou-se pela forte expansão das actividades corticeiras não só em Portugal, bem como em Espanha. Neste contexto, Portugal manteve-se sobretudo como exportador de cortiça em bruto, não obstante o desenvolvimento de uma indústria de preparação de cortiça e, inclusivamente, de uma indústria de transformação de cortiça. Assim, na viragem para o século XX, a cortiça transformada já representava cerca de 23% do total das exportações nacionais cujo mercado preferencial era o Reino Unido seguindo-se os Estados Unidos, a Alemanha e a Rússia. O aumento do peso da cortiça na indústria nacional elevou-a ao terceiro produto mais exportado, sendo apenas superada pelo vinho comum (16%) e pelo tradicional vinho do Porto (25%). Naturalmente o número de estabelecimentos fabris e de operários aumentou também de forma considerável de um total de 70 trabalhadores em 1840, para cerca de 5000 em 1900; e de 45 fábricas em 1880, para um total de 115 em 1900.
Contudo este crescimento não foi uniforme, acentuando-se a partir dos anos 1880, período em que ocorreu um significativo melhoramento das infra-estruturas públicas, a erradicação final das estruturas sociais e económicas do Antigo Regime, a constante desvalorização do escudo que estimulou as exportações e, a nível internacional, o aumento da procura mundial de cortiça.
O incremento importância da cortiça no contexto português nos finais de novecentos foi suficiente para que se tenha colocado, por parte de alguns historiadores económicos, a hipótese deste sector poder ter liderado o desenvolvimento da economia portuguesa, caso se tivesse aumentado ou a sua produção total, ou a proporção de cortiça transformada em território nacional. No entanto, mesmo que Portugal conseguisse fabricar toda a matéria-prima disponível, o valor acrescentado seria de apenas 0,3% do PNB e, inclusivamente, a duplicação da mão-de-obra industrial corticeira que daí adviria traduzir-se-ia num aumento a nível nacional de uns escassos 2,2%. Quanto ao aumento da oferta de matéria-prima esta estava limitada, por um lado, à natural inelasticidade resultante da lentidão da formação do sobreiro e, por outro, pela escassez de terrenos adequados à expansão do montado suberícola. Ou seja, embora já importante na economia portuguesa, o negócio corticeiro não reunia as condições necessárias para retirar Portugal do atraso económico que se verificava em relação aos países mais desenvolvidos, e que acentuou durante todo o século XIX.
No Distrito de Portalegre esta época caracterizou-se pela expansão do número de pequenos estabelecimentos fabris de preparação de cortiça e de uma grande fábrica de produção de rolhas – a Fábrica Robinson de Portalegre. Esta resultou da aquisição da pequena fábrica dos Reynolds por parte de George Robinson na década de 1840. Acompanhando o crescimento do sector, a Robinson empregava cerca de 2000 trabalhadores em 1900 e começava a esboçar a sua acção social filantrópica, por exemplo, com a abertura de uma creche e a fundação de uma corporação de bombeiros.  

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O balanço de ano e meio em Ponte de Sor


No dia 24 de Dezembro fiquei a saber que passarei a colaborar num projecto de investigação na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Assim, deixo Ponte de Sor na qualidade de residente a tempo inteiro passando a frequentar a cidade banhada pela ribeira de sor apenas ao fim-de-semana. É, portanto, altura de fazer um balanço com o melhor, o pior e aquilo que pode ser melhorado nesta cidade, pelos olhos de um lisboeta do bairro dos Olivais e que conhece ainda bastante bem a cidade de Tavira.

Trata-se de uma visão pessoal com todos os defeitos e arbitrariedades que daqui podem advir, por exemplo, a mim pouco ou nada conta o facto do Centro Comercial mais próximo se encontrar a cerca de 100 km de distância, algo que sei que incomoda a maioria dos portugueses. No entanto, a falta de uma sala de cinema onde se possa assistir a um filme de qualidade e não apenas aos mediocres blockbusters do cinema local é, na minha visão pessoal, um factor negativo. Compreendo que tenha que ser assim, mas não me satisfaz. O mesmo se passa, de um ponto de vista negativo, com a colecção da Biblioteca Municipal que está muito longe de satisfazer as minhas necessidades de infomação ou, como algo positivo, posso adiantar a possibilidade que tive de utilizar a pista olímpica do estádio municipal para correr. Quero, nas próximas semanas, descrever todos estes aspectos de forma minuciosa e espero que os pontessorenses se façam ouvir na caixa de comentários.  

De uma forma global acho que se vive bem em Ponte de Sor, no site da Câmara Municipal pergunta-se se se gosta de viver em Ponte de Sor. Eu gostei e numa escala de 0 a 20 avalio com a nota 12, isto é, uma avaliação positiva mas mediana. Em breve saberão porquê.........

sábado, 24 de dezembro de 2011

O “ouro português”: a evolução do negócio corticeiro em Portugal


          Aproveitando a nomeação do sobreiro como árvore nacional iniciarei um breve resumo do negócio corticeiro português desde as suas origens até ao 25 de Abril. Hoje deixo-vos com a primeira parte que corresponde ao final do século XVIII e início da centúria de oitocentos.


(Parte 1: A primeira metade do século XIX)
            A origem da transformação da cortiça remonta ao século XVIII quando, na região francesa de Champagne, o monge beneditino Pierre de Perignon produziu um vinho espumoso cuja conservação exigia uma garrafa de vidro e uma rolha de cortiça. Este vinho, cuja procura aumentou devido ao facto de ser bastante apreciado pela nobreza francesa, foi o responsável pelo nascimento da indústria corticeira em França. No entanto, por um lado, a reduzida área de montado de sobreiro naquele país e, por outro, a natural baixa elasticidade da oferta de cortiça relacionada com o alargado período de crescimento do sobreiro forçaram a expansão do negócio, numa primeira fase, até à Catalunha e, posteriormente, ao resto de Espanha e a Portugal.
            Assim, nas primeiras décadas do século XIX a Catalunha era a região onde se concentrava grande parte da indústria mundial de cortiça. Já Portugal, não contado com as condições que a Catalunha dispunha para o estabelecimento de uma indústria transformadora como, por exemplo, o ambiente industrial necessário ou a necessária densidade demográfica na região de extracção de cortiça, limitava-se ao papel de fornecedor de cortiça. Neste período, mais de 98% das exportações corticeira lusas eram de matéria-prima em bruto tendo como principal mercado o Reino Unido (82%), e como mercados secundários a Rússia, Alemanha, Holanda e Estados Unidos, onde esta seria então transformada.
            No Alto Alentejo, seguindo o contexto atrás descrito, tratou-se de um período de extracção de cortiça cujos proprietários florestais acabavam por exportar para cidades britânicas como, por exemplo, Halifax onde George Robinson detinha já uma produção industrial considerável. Ainda assim, em Portalegre existia, desde 1835, uma pequena fábrica de cortiça instalada no Convento de São Francisco, adquirido após a extinção das Ordens Religiosas no ano anterior, propriedade de uma conhecida família inglesa, os Reynolds, trata-se do embrião do que virá a ser a Fábrica Robinson. (continua…)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Se isto não chega tens Portugal ao contrário


A banda portuguesa Xutos&Pontapés têm uma música chamada "O Mundo ao contrário". Nem gosto particularmente da referida melodia, mas acho que se adequa na perfeição na transcrição que vou fazer de uma notícia hoje publicada no Público:

"Enquanto a taxa de emprego dos jovens com o ensino secundário praticamente não se alterou, a quebra no grupo dos licenciados com menos de 25 anos foi de quase 20%. Elísio Estanque, sociólogo e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, não considera estes dados surpreendentes e relaciona-os com "a falta de modernização e de inovação do tecido empresarial português, excepcional a nível europeu".

"Estamos a falar de um país em que os patrões são menos qualificados do que os empregados e onde se chega ao ponto de alguns jovens se sentirem constrangidos a omitir que têm uma licenciatura para conseguir um emprego, por estarem cientes de que o empregador optará por aquele que tiver menos qualificações", comenta Elísio Estanque."


Reformulando a letra daria algo do género:

Se te esforçaste mais,
Se trabalhaste mais,
Se isto não chega tens Portugal ao contrário

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Como agir perante a incompetência e arrogância do "funcionário público"

Hoje aconteceu-me uma situação desagradável com uma "funcionária" pública daquelas que encaixam perfeitamente no estereótipo que tem sido criado em torno do trabalhador em funções públicas. O relato que não é mais que o e-mail que enviei à autoridade competente e é o que transcrevo de seguida. Espero que todos os portugueses e, especialmente, os jovens passem a agir desta forma.

"Exmo. (a) Sr. (a),
Hoje, dia 20 de Dezembro de 2011, cerca de 15h15 dirigi-me ao edifício do Tribunal Judicial de Abrantes, situado na Esplanada 1º de Maio, na referida cidade. O meu propósito era somente de tratar de um assunto relacionado com o Registo Civil, visto ser comum que as instalações daquele serviço se encontrem alojadas nos edifícios judiciais. Logo à entrada um quadro indica a existência de um serviço de Registo Civil no rés-do-chão do mesmo. No entanto, ao não encontrar as instalações do Registo Civil, optei por me dirigir até ao primeiro andar na esperança de obter as correctas indicações.

Assim, após ter subido as escadas que dão acesso ao primeiro andar dirigi-me ao balcão de atendimento do 3º Juízo do Tribunal Judicial de Abrantes, onde fui correctamente informado de que o Registo Civil já não se situa naquele edifício, mas sim num outro a poucos metros de distância. Agradeci a informação e sugeri à senhora que me atendeu que informasse a entidade e/ou o responsável pela tutela do edifício da obsolescência da informação exposta no Hall de entrada do tribunal. Imediatamente a senhora contestou que essa competência não fazia parte do seu serviço que, nas suas próprias palavras, “não mandava nem era chefe” e, portanto, nada faria nesse sentido. Perguntei-lhe então se achava normal a sua falta de pro-actividade e se teria que ser um qualquer cidadão anónimo a ter a “duríssima” tarefa de informar a tutela quando, muito provavelmente, ela o saberia melhor e teria meios mais rápidos e menos dispendiosos de o fazer. A senhora, indefectível da sua posição limitou-se, de forma arrogante, a repetir a sua fraquíssima argumentação.

Perante esta atitude, que considero lamentável e intolerável, restou-me fazer o que qualquer contribuinte consciente e preocupado com a correcta gestão da “Res Publica” portuguesa faria: denunciar a situação às autoridades competentes na ténue esperança que esta não se repita. Na minha opinião, esta funcionária violou a alínea h) do artigo 3º da Lei nº 58/2008, isto é, o dever de correcção a que está obrigada.

Contudo, pior que ter violado qualquer regra a atitude desta senhora insultou-me na qualidade de cidadão português, contribuinte e desempregado. A postura desta senhora é, presumivelmente, devida a uma legislação laboral extremamente rígida saída da revolução do 25 de Abril que protege demasiado o trabalhador contra a eventualidade do desemprego. No entanto, a partir de 1989 sucessivas alterações têm vindo a permitir uma excessiva flexibilização laboral. Desta forma, a maior parte do emprego gerado desde os anos 1990 concentrou-se nas formas flexíveis provocando um grande enviesamento em termos etários e educativos: os contratos flexíveis - a termo certo e prestação de serviços - atingem a mão-de-obra mais jovem e qualificada.

Fazendo parte deste último grupo sinto-me magoado, desiludido e revoltado sempre que alguém não estima o suficiente o seu posto de trabalho, presentemente um bem escasso e precioso, sobretudo quando este é pago pelas contribuições de todos nós."

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O governo convida à emigração


Por duas ocasiões membros do governo incentivaram os portugueses a emigrar. A primeira, através do Secretário de Estado da Juventude, direccionada aos jovens e, a segunda, por intermédio do Primeiro-Ministro, dirigida aos professores.

Sinceramente estas declarações provocam-me um sentimento misto. Por um lado, aprecio a honestidade do governo que, pelo menos por agora, não procura iludir o povo apresentando a dura realidade em que vivemos. É uma marca deste governo, na minha opinião positiva, que contrasta com a propaganda mentirosa do governo anterior que a esta altura estaria a dizer algo completamente irrealista como a diminuição drástica do desemprego já durante 2012.

No entanto, por outro, deixa-me triste, desiludido, zangado e revoltado. Estando dentro do grupo "convidado a sair", por ser "jovem", qualificado e desempregado, sinto-me descartável e indesejado no país em que cresci e em que reside tudo aquilo que mantém a minha vontade de viver. É como se estivesse numa festa e a organização me convidasse a sair. Chega-me a dar vontade de renunciar à cidadania portuguesa, se tal fosse possível para quem, como eu, não ter qualquer outra nacionalidade. Isto para não falar na forma brutal que o país é prejudicado se abdicar de grande parte do seu número já de si reduzido de jovens e, simultaneamente, dos seus quadros qualificados.

Além disso emigrar obriga a um esforço considerável. Tenho um primo doutorado que emigrou para os EUA - daqueles que o presidente da FCT, João Sentieiro, diz que não existem -, estando agora na Universidade de Nova Orleães e sei o sacrifício que ele faz diariamente ao ver-se privado da sua família. É, portanto, muito confortável "mandar" os outros emigrar quando estamos sentados no poleiro conquistado à custa do partido e de um sistema político corrupto.

E aqueles que estão na mesma situação que eu, o que sentem quando vos apontam a porta da rua?