quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A improbabilidade de um golpe militar em Portugal


Otelo Saraiva de Carvalho veio hoje a público defender, embora de forma discreta, a execução de um golpe militar em Portugal, tal como já tinha feito Vasco Lourenço. O antigo "capitão de Abril" e líder operacional das FP-25 referiu que bastariam 800 homens para se fazer uma nova revolução devido ao número reduzido de militares existentes em Portugal.

Na minha opinião os dois militares foram completamente ultrapassados pelo tempo e, tendo em conta o contexto actual, uma revolução militar em Portugal parece-me quase impossível. O mundo mudou desde 1974, a Europa mudou muito e Portugal mudou ainda mais. Três mudanças tornam muito difícil o sucesso de uma eventual revolução militar armada: a própria natureza das Forças Armadas, a autonomia relativa do nosso país e a conjuntura internacional.

1 - Forças Armadas
Em 1974 o peso das Forças Armadas na sociedade portuguesa era incomparavelmente maior do que é hoje em dia. A par com um conflito em três teatros de guerra distintos, Portugal dispunha de quase 300 mil homens em armas, hoje o efectivo dos três ramos das Forças Armadas é ligeiramente inferior a 50 mil militares. Ou seja, o peso numérico dos militares é um sexto do que era há quase 40 anos. Ainda restringindo-me apenas às Forças Armadas é de notar que o Estado Novo era um regime muito mais militarizado sendo, por isso, fácil de encontrar diversos militares a desempenhar os mais altos cargos públicos. O caso mais flagrante era o cargo de Presidente da República ocupado pelo Contra-Almirante Américo Tomás. Alguns dos mais conhecidos oposicionistas eram também militares e tinham precisamente saído de altos cargos do regime, registe-se os casos de Henrique Galvão, Botelho Moniz e de Humberto Delgado.

2 - A autonomia relativa de Portugal
Antes do 25 de Abril, para o bem e para o mal, Portugal era uma nação pluricontinental a caminho dos 30 milhões de habitantes e com algum peso estratégico internacional, por um lado, devido à base das Lajes que era essencial aos EUA como base de apoio no Atlântico Norte e, por outro, pela forte posição regional na África Austral, onde chegámos a ter o apoio da República de África do Sul e da Rodésia de Ian Smith. Actualmente, Portugal é um pequeno país periférico da Europa com 10 milhões de habitantes e com uma autonomia política política que foi reduzida ao longo do tempo pelos diversos tratados de integração europeia.

3 - Conjuntura Internacional
Nos anos 70, o mundo estava divido em dois blocos, o bloco capitalista e o bloco socialista. Em 2011, apesar da China já se afigurar como uma potência rival dos EUA, na Europa não existe um contra-poder que pudesse auxiliar a todos os níveis (diplomático, logístico e militar) uma possível revolução portuguesa - como era o caso da União Soviética.

Assim, mesmo que o pequeno exército português conspirasse e se organizasse de forma a executar um golpe militar não me parece que a comunidade internacional o permitisse. Aposto que em 48 horas a NATO, os Estados Unidos, o Reino Unido ou até Espanha invadiriam o território nacional de forma a "restaurar a liberdade e a democracia" e muito pouco podiam fazer as Forças Armadas portuguesas para o impedir.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O ódio à Alemanha e a Angela Merkel

Muito sinceramente não consigo compreender o ódio que alguns portugueses movem contra a Alemanha e, concretamente, contra Angela Merkel. Não é que goste particularmente da Chanceler Alemã, aliás até tenho uma opinião negativa da forma como esta tem gerido, do ponto de vista político, toda esta crise. No entanto, não a culpo pela situação orçamental portuguesa, nem tão pouco pela crise do Euro. Ela lá terá as suas culpas visto ser a líder da maior economia da zona Euro, todavia, todas as escolhas realizadas por Portugal foram com a conivência do eleitorado português.

Ninguém nos forçou a um excessivo endividamento, de facto até votamos sucessivamente em quem o desvalorizou - José Sócrates - e penalizamos quem devidamente nos alertou para o "monstro do défice" - Manuela Ferreira Leite. Que eu saiba a Alemanha ou qualquer outro país europeu não fez nenhum ultimato para que Portugal entrasse no Euro ou sequer na CEE.

Portanto meus amigos de que se queixam?

domingo, 6 de novembro de 2011

Património Histórico de Ponte de Sor: Os moinhos de água

No passado dia 16 de Abril de 2011, no âmbito das Comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, assisti no Centro de Artes e Cultura a uma conferência intitulada "Giram rodízios de espuma...A água e as actividades económicas em Ponte de Sor: os moinhos", proferida por Ana Isabel Silva.

Bom tenho a dizer que foi com a oradora que contraí o sagrado matrimónio - sagrado para nós pois tratou-se de uma cerimónia laica - no passado dia 4 de Junho de 2011.

Como forma de ilustrar a dita apresentação, no fim-de-semana anterior, percorremos o percurso da Ribeira de Sor a jusante da nossa cidade e fotografámos os três moinhos aí existentes, Moinho da Sobreira, Moinho da Pontinha e o famoso Moinho Novo da Tramaga.

O estado de conservação destes moinhos e o facto de ter aprendido que este meio de produção pré-indutrial ainda laborava no anos 1960, despertou a minha atenção. Desde logo tive a intenção de aprofundar historicamente o tema e, como é habitual, a minha mulher estava no mesmo diapasão.

No entanto, questões de ordem pessoal e profissional têm-nos retirado o tempo necessário para estudarmos convenientemente esta questão. Depois desse dia nada fizemos até o início da semana passada juntado o "útil" ao "agradável". Assim, temos aproveitado os longos passeios a que estamos "obrigados" para procurar mais algumas destas estruturas, desta feita a montante de Ponte de Sor. Hoje assinalámos mais duas - o Moinho da Pedreira e o Moinho do Pinheiro -, e ficamos a saber da existência de um outro Moinho a Nordeste destes.

Para já não iremos iniciar nenhuma pesquisa documental, mas vamos assinalar todos os moinhos na carta militar de Ponte de Sor.

Faço aqui um apelo a todos os leitores para que me enviem um e-mail, caso saibam da existência de mais moinhos de água que estejam dentro dos limites do Concelho de Ponte de Sor.

Calculo que com a construção da barragem de Montargil, alguns dos moinhos de água daquela freguesia estejam hoje submersos, contudo, se sobre estes também tiverem alguma informação por favor não hesitem em me contactar.

E agora deixo-vos com algumas das fotos que tirei.


Figura 1 - Moinho do Pinheiro

Figura 2 - Moinho da Sobreira

Figura 3 - Rodízio do Moinho da Pontinha

Figura 4 - Moinho da Pontinha

sábado, 5 de novembro de 2011

A falência da democracia de voto universal

Fátima Felgueiras após ter gozado com o sistema judicial português foi reeleita em 2005.

Costuma-se atribuir a Winston Churchill a ideia de que a democracia é o pior sistema político, se exceptuarmos todos os outros. De uma forma geral concordo com esta afirmação, no entanto, nem todas as democracias são iguais e se guiam pelo mesmos métodos eleitorais.

A nossa, tal como as demais democracias "ocidentais", pressupõe que todos os cidadãos tornam-se automaticamente eleitores aos 18 anos, com raríssimas excepções. Ora foi esta imensidão de votantes que elegeu Isaltino Morais, Fátimas Felgueiras e Alberto João Jardim, mesmo após se ter tornado público os diversos esquemas de corrupção em que estiveram envolvidos.

Foi esta mesma democracia de voto universal que elegeu os sucessivos governos que nos conduziram ao défice e, ao mesmo tempo, penalizou os candidatos que alertaram para o mesmo.

Os mesmos que continuadamente se queixam dos políticos, são aqueles que desde 1975 votam sempre nos dois partidos do costume.

Finalmente, a minha avó materna vota no PS porque o meu falecido avô assim o fazia, embora seja confessa admiradora da figura de Oliveira Salazar.

A única conclusão a que se chego é que o voto universal é perigoso num país constituído, na sua maioria, por semi-analfabetos. A democracia é a ditadura da maioria e torna-se perigosa quando a maioria é pouco dada a perceber os problemas que a rodeiam.

No passado o voto não era universal pelos piores motivos. Os cidadãos eram discriminados ou porque não dispunham de rendimentos suficientes (voto censitário), ou por questões de género, ou por origem geográfica. Evidentemente que não quero regressar a esses tempos.

O que proponho é que os direitos políticos deixem de ser automáticos apenas porque alguém atingiu uma determinada idade. Na minha opinião, a possibilidade de se exercer o direito de voto tem que estar associada à aquisição de conhecimentos mínimos sobre a Constituição Portuguesa; sobre o nosso sistema político; sobre quais são as principais orientações ideológicas dos diferentes partidos políticos; de que forma aqui chegámos, ou seja, conhecer um pouco da História de Portugal; e qual a situação num determinado momento da sociedade portuguesa.

O desinvestimento na área da Cultura e do Ensino - no primeiro caso desinvestimento económico e no segundo nos padrões de exigência -, tornou a Sociedade da Informação uma miragem.

P.S. - Para os meus amigos de esquerda que vão vomitar quando lerem isto, lamento mas é mesmo isto que acho.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A importância do ensino da História

Parece que o ensino da História, enquanto disciplina autónoma, está ameaçado já que o actual Ministro, Nuno Crato, está com ideias de fundir esta disciplina com Geografia. Não sei quais serão os objectivos desta medida, embora facilmente se adivinhe mais uma "poupança" orçamental através da redução do número de docentes destas áreas.

Actualmente não faço a menor ideia de como a História é ensinada no ensino obrigatório. A última vez que frequentei a disciplina de História foi no ano lectivo de 1996/97, estava, portanto, no 9º ano de escolaridade, visto que no secundário optei pelo agrupamento científico-natural, regressando à História apenas em 2002/03, desta feita na FCSH/UNL.

Assim, é-me difícil avaliar se o modelo de ensino actual da História faz muito ou pouco sentido. O que sei é que faz sentido e, caso seja ensinado correctamente, faz TODO o sentido. Algumas pessoas menos letradas - para não lhes chamar ignorantes - têm bastante dificuldade em compreender para que serve a História e, concretamente, qual o intuito do seu ensino.

Recordo-me de ouvir uma funcionária de uma Biblioteca queixar-se que não percebia porque é que a filha tinha que saber o que foi o Paleolítico, ou de que forma ruiu o Império Romano.

Meus caros, compreender a História não é saber de cor os Reis de Portugal, embora isso possa ser (ou não) importante. Na realidade o objecto de estudo da História é o Homem, ou seja, vocês! E ao estudar o passado humano, a História explica grande parte do presente. Não é por acaso que cada um de nós nasceu num determinado local, fala uma determinada língua, tem determinados costumes, que Portugal é um pequeno estado-nação da Europa, ou que no Norte da Europa se vive substancialmente melhor.

O estudo e o ensino da História são fundamentais para o conhecimento da natureza humana, das suas particularidades, de que forma chegámos até ao presente, ou seja, para o nosso próprio auto-conhecimento enquanto sociedade.

P.S. - Entretanto uma pessoa ligada à História indicou-me este texto, concorde-se ou não creio que vale a pena ler:


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Secretário de Estado apela a jovens para emigrarem: Tem que se demitir!


Quando li, pela primeira vez, as recentes declarações do Secretário de Estado da Juventude, Alexandre Mestre, aconselhando os jovens a emigrar senti desde logo que ele deixou de ter condições para exercer o cargo. Na minha óptica é como se um General aconselhasse o seu exército a desertar.

Na realidade o que Secretário de Estado disse provou que este não tem a confiança suficiente no seu trabalho e, ao mesmo tempo, no seu governo, para acreditar que consegue dar um outro futuro aos jovens portugueses. No entanto, provavelmente Alexandre Mestre só disse a verdade e, desta forma, comprovou a sua inutilidade para a sociedade portuguesa. Se assim é que se extinga o cargo, pois sempre se poupam mais uns milhares de euros.

Uma última reflexão, não deixa de ser curioso que num país extremamente envelhecido os governantes estimulem os jovens a emigrarem. Hoje fui visitar a freguesia do Maranhão, concelho de Avis, que é das mais despovoadas do Alentejo contando com apenas 65 habitantes. Junto da Barragem com o mesmo nome, existia uma pequena povoação que hoje está totalmente abandonada. A sede de freguesia, como devem calcular, parece tirada de um Western onde só faltam os arbustos a voar. Enfim é para isto cenário que caminhamos a passos largos.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mais um prego no caixão: o encerramento da Linha do Leste

Estado actual da estação de Chança

Fiquei a saber que os comboios de passageiros da Linha do Leste vão terminar já no final deste ano. Não é uma notícia que me surpreenda particularmente, já esperava uma decisão neste sentido, sobretudo, após o encerramento do Ramal de Caceres.

Obviamente que esta ligação não é minimamente rentável, segundo dados da CP, em 2010, esta linha foi utilizada por 28.164 passageiros, a uma média de 19 por comboio. Um amigo meu montargilense, a quem pedi a opinião sobre este assunto, referiu que era apenas um sinal dos tempos, que o transporte ferroviário estava completamente ultrapassado e, portanto, não fazia sentido manter uma linha deficitária.

Eu não concordo com a posição dele, embora só tenha utilizado a linha que agora vai ser encerrada por três vezes nos últimos dois anos. Assim, não vou discutir a pertinência do transporte ferroviário de passageiros, seria uma discussão demasiado longa para este espaço.

Vou antes deixar ao leitor três pequenas reflexões. A primeira, de ordem prática, é que a nossa região vai ficar ainda mais isolada, seja o comboio muito ou pouco utilizado. A segunda, é que do ponto de vista simbólico é mais um serviço público que fecha dando a noção que ninguém quer saber de nós. Por último, o Estado tem que pensar se prefere gastar alguns dos seus recursos para ir mantendo alguma população no interior ou se prefere que de uma vez por todas tornar grande parte do território nacional num deserto, ao mesmo tempo que o litoral se torna ainda mais superpovoado. Esta segunda opção tem altíssimos custos do ponto vista ambiental e social, certamente muito muito superiores ao que é gasto actualmente em centros de saúde, linhas de comboio ou escolas.

P.S.1 - Por comparação fiquei a saber que o Estádio de Leiria custa ao erário público mais de 12000 euros por dia, num total de 5 milhões por ano. Este "mono" é que de facto não serve ninguém!!

P.S.2 - Ouvi rumores que a Câmara Municipal de Ponte de Sor queria de alguma forma protestar activamente contra o fim da linha do comboio. Se for o caso conte comigo.