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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Criando os chaparrais: dois séculos de montado de sobro no Alentejo


No próximo dia 5 de Julho, pelas 16h00, na Biblioteca Municipal de Ponte de Sor, será apresentado o livro da minha autoria «Criando os chaparrais: dois séculos de montado de sobro no Alentejo», através de uma conferência que incidirá naturalmente no conteúdo do mesmo.


O livro, prefaciado pelo Eng. Hugo Hilário, aborda, em pouco mais de 50 páginas, a evolução do montado de sobro alentejano ao longo da história, com o objetivo de conceder ao leitor uma visão geral sobre a «construção» do montado de sobro de uma forma despretensiosa e simples,mas séria e historiograficamente rigorosa.




Este sistema agro-florestal (e ecossistema), tal como ele se apresenta hoje – sem dúvida a principal imagem identificadora de grande parte do Alentejo –, não é mais do que o resultado de séculos de ações e transformações do Homem sobre a natureza. A uma primeira fase mais marcada pela destruição, opôs-se uma fase de construção do montado de sobro, cujas origens remontam a meados do século XVIII, mas que apenas se generalizou durante o século XIX aquando da valorização da cortiça como produto industrial. A obra acompanha assim as vicissitudes do montado de sobro, com especial incidência nos últimos duzentos anos, dando o devido destaque à ação de entidades privadas, às diferentes intervenções do Estado e, sobretudo, às consequências que daí advieram para um dos mais importantes setores da economia regional e nacional, visto que é em Portugal que o sobreiro encontra as melhores condições no planeta para o seu desenvolvimento.

Integrado na coleção «Chaparando: conversas à sombra de um sobreiro» da editora Apenas Livros, este é o primeiro número de uma coleção composta por «livros de bolso» e exclusivamente dedicada a temas alentejanos.





O livro será vendido pelo preço de 4,35 € e no lançamento será dado um marcador de livros em cortiça.

Por último, deixo-vos ainda um vídeo promocional que fizemos do evento https://www.youtube.com/watch?v=bBgMzaT1vp0

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Os primórdios da indústria corticeira em Ponte de Sor (1894-1964)


           Texto publicado na edição de Março de "A Ponte".

             Não obstante a sua presença no comércio internacional desde, pelo menos, a época medieval, a exploração sistemática de cortiça iniciou-se em França, no final do século XVII, devido à necessidade do fabrico de rolhas como forma de fornecer a produção vinícola local. Com o crescimento mundial do consumo de vinho, a indústria corticeira expandiu-se, já em meados do século XVIII, para a Catalunha e a Sardenha e, inclusivamente, até países não-produtores de cortiça, como, por exemplo, o Reino Unido e a Alemanha.
            
            O «renovado» negócio corticeiro chegou ao nosso país somente no final da primeira metade do século XIX. A proximidade com a matéria-prima era, à época, um dos principais fatores de localização industrial. Nesse sentido, desde «cedo» que no Alto Alentejo se fixaram algumas importantes corticeiras. O exemplo mais conhecido é a fábrica portalegrense de George Robinson, que já laborava em 1848, mas cuja fundação datará de 1840, por iniciativa de Thomas Reynolds, o seu primeiro proprietário.
            
           Aproveitando uma zona de intensa produção de cortiça, algumas das maiores multinacionais do mundo estabeleceram diversas unidades industriais no nosso concelho que, desde que existem registos, foi o principal produtor desta matéria-prima no distrito de Portalegre. Tratavam-se, habitualmente, de unidades preparadoras, mas com alguma dimensão. Foi o caso da multinacional britânica Henry Bucknall & Sons que, em 1894, já mantinha uma fábrica de preparação de cortiça nas Barreiras, seguindo-se, pouco depois, em 1902, a abertura de uma fábrica da família Reynolds, também de origem britânica. É de assinalar que Henry Bucknall foi um grande «capitão de indústria» a tal ponto que, aquando da sua morte, o New York Times dedicou-lhe uma pequena biografia no seu obituário. No entanto, talvez o caso mais conhecido, até ao estabelecimento da Amorim & Irmão, foi o da multinacional catalã Mundet que, ao entrar no mercado português no início do século XX, sentiu necessidade de ter várias unidades industriais junto da matéria-prima, tendo escolhido Ponte de Sor como um dos locais para esse efeito. Assim, em 1927, foi inaugurada, junto da atual rua D. José Mundet, uma fábrica empregando 30 trabalhadores, mas ampliada mais tarde para cerca de centena e meia.




            Em simultâneo, várias indústrias de pequena dimensão, com recurso a capital nacional, muitas vezes de carácter regional, têm vindo a funcionar no nosso concelho. Uma das primeiras parece ter sido a fábrica de José Pedro Pereira fundada, em 1907, na atual Rua do Rossio, passando mais tarde a funcionar junto do extinto Campo de Jogos Matuzarense. Este tipo de unidades multiplicou-se, funcionando, por vezes, como subsidiárias das grandes fábricas de capitais estrangeiros e, em 1952, para além da Mundet, outras seis corticeiras laboravam em Ponte de Sor. Algumas destas foram fundadas por descendentes de negociantes de cortiça algarvios que, em meados do século XIX, se deslocaram até Ponte de Sor como forma de obterem a matéria-prima com que forneciam o parque industrial corticeiro algarvio, com especial destaque para a zona de São Brás de Alportel. São os casos, por exemplo, da fábrica de António Rodrigues Carrusca que, em 1952, transformou 1050 toneladas de cortiça, ou da fábrica de Manuel de Sousa Eusébio. Outro exemplo é a Empresa Industrial de Pimentão, ainda hoje em atividade na Rua Manuel Adegas, que, nesse mesmo ano, transformou 750 toneladas de cortiça, setor que acabaria por abandonar alguns anos mais tarde. Quanto à Mundet, a sucursal de Ponte de Sor encerrou em 1964, enquanto a casa-mãe do Seixal teve um final dramático, em 1988, quando deixou no desemprego centenas de trabalhadores.
            
           Muito mais haveria para dizer relativamente a este assunto. Fica, no entanto, a ideia de que Ponte de Sor é historicamente um dos principais centros corticeiros de Portugal, tendo este setor marcado indiscutivelmente a economia e a sociedade local. Existe, portanto, uma secular tradição florestal e industrial, com um know-how associado, que continua a dar frutos e, sinceramente, espero se acentue ainda mais no futuro próximo para o bem comum da nossa comunidade.  

sexta-feira, 21 de março de 2014

Cultivar a terra, ocupar o espaço: os objetivos iniciais em torno da albufeira de Montargil

“A falta de água, que se tem, não pode embaraçar a fundação das novas povoações na província do Alentejo” (Silveira, 1789)

            Concluída em finais de 1958 e inaugurada no início do ano seguinte, a imponente barragem de Montargil é um dos principais marcos do concelho de Ponte de Sor e, sobretudo, da freguesia à qual deve o seu nome. O seu objetivo principal era o de dotar todo o vale do Sorraia de um canal de rega que permitisse, por um lado, o aumento exponencial da produção agrícola e, a partir daí, fomentar a colonização interna da região, combatendo uma das maiores desigualdades dicotómicas de Portugal: a existência de uma elevada densidade populacional no Norte, associada a uma exploração agrícola minifundiária; por oposição ao grande latifúndio a Sul, bem como a uma fraca ocupação humana do território.        
   
            Na realidade, a necessidade da irrigação dos «campos» do Sul de Portugal já vinha sendo debatida desde, pelo menos, a segunda metade do século XVIII, tendo em vista precisamente os mesmos objetivos. Por outro lado, num país cuja principal ocupação dos seus habitantes foi, até aos anos 1960, a agricultura, a sorte deste setor determinava inevitavelmente a evolução da economia portuguesa, pelo que o aumento da produção agrícola foi uma das preocupações principais de académicos, políticos e proprietários. Assim, os planos de irrigação a Sul, onde a agricultura sofria com verões prolongados, secos e quentes, a que se juntava, em grande parte do território, um solo demasiado estreito com uma reduzida capacidade de armazenar humidade, foi um dos primeiros assuntos abordados pelos membros da Academia Real das Ciências de Lisboa.

            Nesse sentido, no “Racional discurso sobre a agricultura e população da província do Alentejo”, publicado pela referida Academia, em 1789, António Henriques da Silveira identifica a variação do caudal dos cursos de água do Alentejo – muito reduzido no Verão e demasiado abundante no Inverno – como um dos problemas que afetava a agricultura na região e, consequentemente, obstava a uma maior fixação de populações. Este autor dá assim o mote para uma prolongada – mas unânime – discussão, na qual diversos atores políticos identificaram a necessidade de um plano hidroagrícola para o Alentejo. Com os caudais regulados e garantindo-se o permanente abastecimento de água às principais culturas, as extensas herdades alentejanas teriam condições para contribuir decisivamente para o desenvolvimento económico português. A questão atravessa todo o século XIX, assim como o período da I República, contando com diversos estudos e projetos de lei para a concretização de outros tantos planos de rega, condensados, frequentemente, na vaga expressão «A irrigação do Alentejo» – talvez o mais famoso seja o «Projecto de Lei do Fomento Rural», datado de 1884 e da autoria de Oliveira Martins –, mas que nunca saíram do mero plano teórico.

            O verdadeiro arranque prático destas ideias dá-se, em 1937, com o Plano de Obras de Hidráulica Agrícola aprovado, no ano seguinte, pela Câmara Corporativa. Este, cujo término estava previsto para o ano de 1950, pressuponha a realização de um conjunto de obras que permitiria regar cerca de 400 mil hectares em todo o território nacional. No entanto, a sua execução prática não só não obedeceu ao calendário previsto, como tão-pouco a área de regadio atingiu cifras tão elevadas. Foi precisamente neste plano que se inclui a construção da barragem de terra de Montargil, cujo projeto final foi publicado, pelo Ministério das Obras Públicas, em 1944. Uma década mais tarde iniciaram-se as obras que envolveram também a construção de uma central hidroelétrica. O resultado foi uma área beneficiada de 15 365 hectares, dos quais somente 531 hectares se situam no concelho de Ponte de Sor, e uma produção anual média de 5,9 GWh. Se o aumento da área de regadio, responsável, por exemplo, pelo crescimento da produção orizícola na região, foi (e é) uma realidade, já os planos de redistribuição e reocupação do território, a cargo da então criada Junta de Colonização Interna, ficaram quase todos por cumprir, com exceção da pequena localidade de Foros de Almada.

Para mais leituras:
Baptista, Fernando Oliveira. 1993. A política agrária do Estado Novo. Lisboa: Afrontamento.
Cardoso, José Luís, e Academia Real das Ciências de Lisboa. 1991. Memórias económicas da Academia Real das Ciências de Lisboa, para o adiantamento da agricultura, das artes, e da indústria em Portugal, e suas conquistas (1789-1815). Banco de Portugal. 5 vols. Lisboa.

Portugal. Plano de Fomento Agrário. 1995. Inquérito agrícola e florestal do concelho de Ponte de Sor. Ponte de Sor: s.n.
Silva, Elisa Lopes. 2011.A propriedade e os seus sujeitos: colonização interna e colónias agrícolas durante o Estado Novo. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, dissertação de Mestrado.

P.S. - Texto publicado na edição passada do Arauto de Montargil

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Desigualdade Regional da Península Ibérica

Reparei hoje que já saiu, no último número da Revista de História da Faculdade de Letras, uma recensão da minha autoria acerca da evolução histórica da Desigualdade Regional na Península Ibérica. Como o texto está disponível on-line - aliás basta clicar nas duas últimas hiperligações -, reproduzo aqui o original, descontadas as referências bibliográficas para não tornar isto ainda mais chato (mas o texto publicado na revista devia tê-las. Não tem porque quem o editou fez o favor de as apagar, que incompetência!). Espero que gostem.

Desigualdade regional na Península Ibérica. Ensaio Bibliográfico.

Artigos discutidos neste ensaio:
Maria Eugénia Mata, “As bees attracted to honey Transport and job mobility in Portugal, 1890–1950”, Journal of Transport History (vol. 29, nº2, 2008),173-192.

Luís Espinha da Silveira; Daniel Alves; Nuno Miguel Lima; Josep Puig-Farré, “Caminho de ferro, População e Desigualdades Territoriais em Portugal, 1801-1930”, Ler História (nº 61, 2011), 7-37.

Marc Badia-Miró; Jordi Guilera; Pedro Lains, “Regional Incomes in Portugal: Industrialisation, Integration and Inequality, 1890-1980”, Revista de Historia Económica / Journal of Iberian and Latin American Economic History (vol. 30, nº2, 2012), 225-244.

Daniel Tirado; Marc Badia-Miró, “Economic integration and regional inequality in Iberia (1900-2000): a geographical approach”, Working Papers in Economic History, Universidad Carlos III, Departamento de Historia Económica e Instituciones (nº 12-03, 2012), 1-29 (disponível em http://e-archivo.uc3m.es/bitstream/10016/13688/1/wp_12-03.pdf - consultado em 30/11/2012).

A Economia está profundamente marcada por desigualdades. São disso exemplos, quer a desigualdade económica social que atinge indivíduos que partilham um espaço comum, quer a desigualdade económica espacial cujas consequências se materializam na existência de diferentes espaços geográficos com economias em distintos estados de desenvolvimento. Compreende-se então que um dos principais temas da História Económica seja precisamente a aferição dos motivos por detrás destas desigualdades e, ao mesmo tempo, a demonstração dos possíveis caminhos que estiveram à disposição de cada economia, sobretudo aqueles que poderiam ter levado a que as economias menos desenvolvidas tivessem obtido um maior sucesso. É por esta razão que se continuam a analisar constantemente as causas pelas quais algumas partes do mundo, alguns países ou, inclusivamente, algumas regiões se desenvolveram e outras permaneceram mais atrasadas.

A Península Ibérica, através da análise das economias dos seus dois estados, isto é, Portugal e Espanha, conta com diversos estudos não só sobre os períodos da sua divergência em relação às economias mais desenvolvidas, mas também sobre os de convergência. No entanto, até há bem pouco tempo escasseavam os trabalhos de âmbito mais regional, ou seja, a investigação da desigualdade regional dentro de cada uma destas economias e, sobretudo, a explicação das suas causas.

Ora, os quatro artigos que aqui se discutem vêm precisamente colmatar esta lacuna, já que cada um deles incide na temática da desigualdade regional, seja analisando desigualdades demográficas, seja determinando a distribuição espacial do setor industrial ou aferindo a desigualdade de rendimento per capita, medido, em ambos os casos, através do PIB per capita.

O assunto torna-se especialmente pertinente tanto pela sua relativa originalidade no campo da Historiografia Económica nacional e ibérica, como porque à desigualdade económica regional da Península Ibérica – e de outros países Mediterrânicos – está também associado um processo de desertificação física e humana das regiões do interior, que tem recebido bastante atenção por parte da “opinião pública”. Por outro lado, tem sido reconhecida a fulcral importância da análise histórica no desenvolvimento económico regional.

Todos estes trabalhos acabam por ter âmbitos cronológicos relativamente coincidentes, que se situam nos últimos cento e cinquenta a duzentos anos, com o início da industrialização do espaço português, estendendo-se, já com um âmbito mais ibérico, até ao final do século XX9. Neste aspeto, apenas Silveira recua ao início do século XIX como forma de observar as dinâmicas populacionais antes da abertura da primeira ferrovia portuguesa.

Independentemente do seu sucesso ou insucesso relativo, que aliás, como seria de esperar, variou consoante as épocas, foi precisamente durante este último século e meio que, quer a economia portuguesa, quer a espanhola, conheceram o impacto do “crescimento económico moderno”. Ou seja, para além das implicações deste nas estruturas demográficas, na produtividade e no rendimento per capita, entre outros aspetos, as economias portuguesa e espanhola, embora tardiamente pelos padrões europeus, conheceram uma transição estrutural no sentido da sua industrialização e urbanização. Foi também neste período que se foram formando os espaços económicos nacionais, com a integração dos diversos mercados regionais num único mercado nacional, bem como se assistiu à inclusão das economias ibéricas no movimento da “primeira globalização”. Assim, as diversas regiões passaram a estar muito mais dependentes e interligadas entre si, mas também com os espaços económicos internacionais, não obstante o forte protecionismo que ambas as economias conheceram, à semelhança das demais economias “ocidentais”, sobretudo entre as duas guerras mundiais e estendendo-se, na Península Ibérica, aos anos de 1950. Tratou-se, portanto, de um período sujeito a fortes transformações económicas cujas repercussões regionais estavam, em grande medida, até agora, por avaliar.




Antes de uma análise mais detalhada, é obrigatório referir que os quatro trabalhos apresentam, de uma forma geral, uma concordância de conclusões. Assim, a distribuição desigual das populações era algo, aparentemente, já presente em meados do século XIX. Contudo, devido ao processo de crescente integração dos mercados nacionais, onde o efeito causal do desenvolvimento de uma rede de transportes terrestres foi assinalável, existiu uma tendência de agravamento da desigualdade, não só das dinâmicas populacionais, mas também da localização da indústria, do produto industrial e do produto económico no sentido da litoralização da Península Ibérica. Esta tendência apenas se atenuou de forma ligeira na primeira fase da integração total das economias ibéricas no espaço europeu.

Outro aspeto comum a assinalar é o paralelismo com que estes processos se desenvolveram em Espanha e em Portugal, não tendo as fronteiras políticas desempenhado um papel relevante neste processo, pelo que atualmente se assiste a um padrão comum de desigualdade: as regiões do interior e, sobretudo, as regiões do interior sul são as mais pobres e despovoadas, enquanto é nas regiões costeiras, com a exceção de Madrid, que se concentra o grosso da atividade económica e da concentração das populações. Aliás, as regiões portuguesas e espanholas desta “periferia peninsular” partilham, frequentemente, o espaço fronteiriço entre si. É o caso, por exemplo, do Alentejo e da Beira Baixa com a Extremadura e a Andaluzia, ou de Trás-os-Montes com Castela e Leão. Parece então que, tal como assinalou Krugman, as grandes regiões têm um significado económico maior do que os estados-nação, moldados por fronteiras políticas.

Para além de conclusões semelhantes, os diversos autores convergem, de uma forma geral, em justificações análogas, que se encaixam nos modelos desenvolvidos por Krugman sobre economia geográfica, como aliás os próprios autores reconhecem. A formação de economias de aglomeração nas regiões litorais através de um forte padrão de especialização regional – parece ter existido, nas regiões do litoral, uma especialização nos setores industriais mais produtivos –, potenciadas sobretudo pela queda dos custos de transporte, parece ser a chave deste problema. Estas economias de aglomeração situadas no litoral ibérico em torno de um conjunto reduzido de zonas urbanas, tornaram aquelas regiões ainda mais produtivas e geradoras de maiores rendimentos e, consequentemente, mais atrativas para a fixação de indústrias, bem como de populações em busca de melhores oportunidades de emprego e de melhores condições económicas de bem-estar. Simultaneamente, com a aglomeração de indústrias e mão-de-obra nessas regiões, formou-se um círculo virtuoso (ou vicioso?) cujas consequências foram, precisamente, o aparecimento de grandes zonas urbanas rodeadas de áreas rurais que sofreram uma enorme migração das suas populações para as cidades. Esta ideia é aliás reforçada quando, no caso português, são analisadas as migrações internas, concluindo-se que os principais centros urbanos do litoral e, dentro destes, as cidades de Lisboa e Porto, concentraram a maioria das populações migrantes.



Embora abordando temáticas análogas e recorrendo, por vezes, aos mesmos métodos, existem algumas particularidades em cada um destes trabalhos que devem ser salientadas. Assim, se dois deles partem de problemas semelhantes – a análise da evolução do PIB per capita regional –, residindo a principal diferença na amplitude geográfica do objeto de estudo (o espaço português no primeiro caso e o conjunto peninsular no segundo), e utilizam essencialmente os mesmos métodos – a análise cliométrica a partir da construção de uma estimativa do PIB regional –, os outros artigos oferecem algumas diferenças mais substanciais. Desde logo, Eugénia Mata abraça um problema diferente, o impacto do desenvolvimento dos transportes na localização da indústria portuguesa, embora recorra também à análise cliométrica, neste caso através de uma base de dados com a distribuição do emprego industrial português.

Neste panorama, talvez o artigo de Silveira se apresente como o mais distinto relativamente ao método utilizado. Estes autores, cujo texto se situa no âmbito da História Espacial, recorrem a um Sistema de Informação Geográfica (SIG) para procurar aferir as repercussões do acesso ao caminho de ferro na evolução da população, das cidades e das migrações internas em Portugal continental, numa perspetiva regional. Ao que tudo indica, a ligação de uma base de dados ao SIG possibilitou que se ultrapassassem os problemas decorrentes da existência de descontinuidades históricas administrativas na reconstrução de unidades territoriais que assim se tornaram historicamente comparáveis. Este problema também se colocou a Tirado e Badia-Miró, quando estes procuraram transferir o PIB das atuais NUTS III portuguesas para os extintos distritos administrativos, tendo os autores simplesmente distribuído o PIB de cada NUTS III pelos seus municípios de acordo com a população destes para, posteriormente, o recolocarem no distrito em que cada um desses municípios se localizou. No entanto, este método, ao repartir o PIB regional exclusivamente de acordo com a respetiva população de cada município, acaba por implicitamente considerar que o PIB per capita de todos os municípios de uma NUTS III seria igual, o que pode ser considerado um pouco incongruente num estudo que assinala precisamente a existência de diferenças de PIB per capita em espaços geográficos relativamente reduzidos.

Nos dois artigos com uma cronologia mais recuada, que abrangem grande parte ou a totalidade do século XIX e terminam em meados do século XX, encontramos uma análise mais pormenorizada do impacto que o desenvolvimento dos transportes e, especialmente, que os caminhos de ferro terão tido na dinâmica populacional e na localização industrial portuguesa. Embora a construção de uma rede ferroviária tenha, de uma forma geral, contribuído para o desenvolvimento populacional das freguesias e concelhos que beneficiaram com esta acessibilidade, este padrão não se aplicou a todos casos. Justamente em algumas regiões do interior, especialmente no Norte de Portugal, o efeito foi precisamente o contrário. Ou seja, a maior mobilidade permitiu que as populações migrassem para os principais centros económicos portugueses onde, como demonstra Eugénia Mata, podiam obter com maior facilidade emprego nos setores mais produtivos da economia portuguesa, como era o caso do sector industrial. Por outro lado, a construção da rede ferroviária obedeceu, com algumas exceções por motivos de ligação internacional ao país vizinho, à lógica populacional pré-existente, já marcada por uma certa dicotomia interior/litoral, tendo contribuído para o seu agravamento. Existiu então, com o desenvolvimento dos transportes, um processo de transferência de populações do interior para o litoral, tendo-se se deslocalizado grande parte da indústria no mesmo sentido.

Este último fator torna-se particularmente significativo se atendermos ao facto que a localização industrial é um dos parâmetros mais importantes para o desenvolvimento económico e responsável pela fixação de populações, devido à especial capacidade dinamizadora do conjunto da economia que supõe uma atividade deste tipo. É, portanto, bastante comum identificar-se industrialização com desenvolvimento económico e carência de indústria com atraso. Assim, com poucas exceções, não existem países ou regiões desenvolvidos que não se destaquem pela dimensão e produtividade do seu setor industrial.

Os restantes dois artigos completam este quadro em termos cronológicos, já que a sua análise se situa essencialmente no século XX, estendendo-se até ao final da centúria de novecentos. Completam também o quadro da desigualdade, reforçando as ideias anteriores, ou seja, o aumento da desigualdade regional, agora medida, em ambos os casos, em termos do PIB per capita de cada região. Contudo, este crescimento da desigualdade de rendimento, ao longo do século XX, não foi constante, tendo conhecido um ligeiro abrandamento durante a consolidação do espaço económico nacional e o início da abertura europeia, nas décadas de 1970 e 1980, devido principalmente à expansão do setor dos serviços, pelo menos na economia portuguesa. Assim, esta evolução pode ser representada graficamente como um “U” invertido.

Por último, é assinalado que este padrão de desigualdade, crescente numa primeira fase e que posteriormente se atenua, não é um fenómeno estritamente ibérico, pois foi identificado para várias regiões europeias. Existiu, todavia, um hiato temporal entre a desigualdade regional ibérica e a desigualdade regional europeia. Este é explicado, para o caso português, com o intervalo relativamente coincidente entre o surgimento na economia portuguesa das causas já referenciadas, e que fomentaram esta evolução, e o mesmo processo nas economias europeias.

Embora todos estes estudos tenham apontado para causas e consequências semelhantes, num exemplo de grande concordância académica, este assunto está, naturalmente, muito longe de se esgotar. Aliás, um dos artigos termina precisamente com uma enumeração das questões pertinentes que agora se levantam perante o cenário descrito. Desde logo, é necessário um estudo mais aprofundado que permita compreender qual o peso relativo das dotações de cada região, sobretudo em termos de capital físico e humano disponível, e dos já descritos efeitos que os mercados tiveram na formação de todas estas desigualdades.

Contudo, na minha opinião, seria também interessante cruzar as diversas políticas económicas seguidas em Portugal e Espanha, ao longo destes quase duzentos anos, com os padrões, aparentemente bem vincados, de desigualdade regional. Concretamente, perante a ausência de assimetrias no padrão de desigualdade das economias regionais destes dois estados, parece ser bastante pertinente compreender se, em primeiro lugar, foram seguidas políticas económicas semelhantes com resultados também eles iguais ou se, por outro lado, a opção por políticas económicas divergentes acabou por ter consequências idênticas. Este exercício poderia levar a um maior conhecimento do papel da política económica no processo de litoralização ibérica e, sobretudo, permitir compreender se com uma política económica diferente teria sido (ou será) possível inverter esta situação (caso isso seja realmente desejável), ou se ela se apresenta como uma inevitabilidade do crescimento económico moderno, com a qual temos de lidar. Por outro lado, a existência, em Espanha, de uma região de interior com uma elevada densidade populacional e PIB per capita, Madrid – uma exceção que Badia-Miró, Guilera e Lains talvez pudessem ter explorado mais exaustivamente –, sugere que determinadas políticas podem ter como consequência a criação de regiões economicamente desenvolvidas longe do litoral, bem como as menores desigualdades regionais verificadas em outros países europeus como, por exemplo, França.

Esta problemática é brevemente abordada por Miró, Guilera e Lains, quando procuram compreender, de uma forma mais minuciosa, as causas da desigualdade. Ora, segundo aqueles autores, esta deveu-se, em Portugal, à especialização de determinadas regiões em indústrias e/ou setores menos produtivos ou, por outro lado, a reduzidos níveis de produtividade em regiões cujas especializações produtivas coincidiram com os setores de maior sucesso económico. Assim, as soluções apontadas são relativamente óbvias, isto é, a promoção de uma alteração estrutural no primeiro caso, e o aumento da produtividade no segundo.

Sabe-se, porém, que as políticas relativas ao comércio internacional foram cronologicamente semelhantes nos dois estados, desde as últimas décadas do século XIX – protecionismo até finais dos anos de 1950, seguido de uma maior abertura até à atualidade –, sem que aparentemente estas mudanças tenham alterado a evolução dos padrões de desigualdade. Sobre este aspeto, é argumentado que a abertura aos mercados internacionais favorece a desigualdade regional nos primeiros estádios da industrialização, a que se segue uma quebra na desigualdade devido ao crescimento dos custos de congestionamento. No entanto, a desigualdade continuou a crescer mesmo nos períodos de maior autarcia, não se aludindo se teoricamente tal seria ou não expectável. O que significa que o impacto da desintegração económica internacional talvez fosse merecedor de um maior aprofundamento. Acresce ainda que existe, neste ponto, alguma divergência sobre a forma como a desigualdade evoluiu nas décadas de 1940 e 1950, marcadas pela autarcia na Península Ibérica, já que um dos artigos aponta para o seu decréscimo, enquanto outro refere o processo do seu crescimento contínuo.

Por último, existindo unanimidade na quebra da desigualdade regional nas últimas duas décadas do século XX, seria pertinente tentar compreender porque é que, ainda assim, nas regiões do interior o processo de desertificação humana, em termos relativos e absolutos, manteve a sua marcha até agora imparável.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Produção Alentejana de cortiça, em 1905, discriminada por concelho

Algumas das principais problemáticas do meu projeto de doutoramento serão estudadas a partir dos registos notariais dos concelhos alentejanos com maior produção florestal e industrial de cortiça. É a partir da informação contida neste tipo de fontes que procurarei resolver as problemáticas relativas ao funcionamento do mercado da terra, entre as quais saliento a análise detalhada dos contratos de arrendamento e/ou de venda de cortiça.





Os conteúdos dos registos notariais encerram ainda informações sobre o estabelecimento de sociedades comerciais e industriais, pelo que também possuem algum potencial na caracterização da indústria corticeira presente no Alentejo. Já relacionado somente com a problemática da deslocalização industrial e das estratégias empresariais, estes registos permitir-me-ão determinar a constituição (ou não) de redes de informação sustentadas pelas empresas, através do recurso a colaboradores no terreno. Toda esta importante documentação encontra-se disponível para consulta nos diversos Arquivos Distritais da região Alentejana – Portalegre, Setúbal, Évora e Beja.


No entanto, sendo impossível consultar todos os concelhos, há que fazer uma escolha. Assim, estou-me a centrar num conjunto selecionado de municípios do espaço alentejano. Este não são mais do que o «TOP 10» em termos de produção de cortiça aos quais se juntam, pelo facto de se terem constituído como importantes centros industriais de cortiça, os concelhos de Portalegre (sede da Robinson Cork Grewers, Ltd.), e de Estremoz (sede da Sociedade Nacional de Cortiças, propriedade da família Reynolds).

Deixo-vos, por mera curiosidade, essa lista.

Produção Alentejana de cortiça discriminada por concelho (1905)


Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo/ Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria/ Direcção-Geral de Agricultura/ NP 952/ Documento 10.

Legenda: A castanho os concelhos em que estou a pesquisar (ou pesquisarei) os respetivos registos notariais.

Nota: Veja-se como, em 1941, Ponte de Sor já tinha ultrapassado muitos dos concelhos que aqui ainda se encontravam à sua frente: http://sobreaponte.blogspot.pt/2012/11/concelhos-com-maior-producao-de-cortica.html

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Um mercado que não reage? A transformação industrial de cortiça em Portugal (1870-1930)

A exportação de cortiça em Portugal, ao contrário do que se poderia pensar do maior produtor mundial de cortiça, privilegiava a venda da matéria-prima em bruto ou semitransformada, com pouco ou nenhum valor acrescentado, em detrimento da exportação de cortiça transformada, de elevado valor acrescentado. Como exemplo, posso adiantar que, entre 1867 e 1933, um quilograma de cortiça transformada foi vendido por um valor entre 2 a 5 vezes superior ao da cortiça em bruto ou semitransformada.

Gráfico 1 - Rácio do valor de cortiça transformada/cortiça semitransformada ou em bruto 


Ainda assim, a percentagem de cortiça transformada pela indústria nacional cresceu, neste período, mas de forma muito lenta. Aliás, como se pode verificar no gráfico anterior, o preço da cortiça transforma mostrou uma tendência de crescimento, não obstantes diversas oscilações, superior à matéria-prima semitransformada ou em bruto.


Na realidade, a indústria corticeira portuguesa parece ter reagido muito lentamente à subida de preço da cortiça transformada, já que a correlação entre o preço desta e percentagem de cortiça transformada no total das exportações portuguesas é de 0,15. Ou seja, existe uma fraca ligação entre a valorização da cortiça e a sua transformação industrial em terras lusas.

Fica a pergunta: porque é que os agentes económicos não reagiram ao mercado?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A origem histórica do vinho Alentejano


Não há. Ou melhor, claro que existe, mas é bastante recente, em termos quantitativos, do que à partida se poderia esperar, pois, na realidade, o Alentejo era, até sensivelmente os anos 1980, uma região com pouca produção de vinho. Este facto já se fazia sentir em meados do século XIX, conforme se pode verificar na Figura 1.

Figura 1 - Produção distrital de vinho (1882-1885)

Fonte: http://www.ruralportugal.ics.ul.pt/ (em breve disponível nas bases de dados)

Contudo, setenta anos mais tarde, como é visível na Figura 2, o panorama afigurava-se praticamente inalterado, com a produção vinícola alentejana a se pautar por um carácter ainda mais residual no contexto nacional do que no final da centúria de Oitocentos.

                                      Figura 2 - Produção distrital de vinho (1950-1954)

Fonte: Estatísticas Agrícolas (INE)

De facto, a agricultura portuguesa sofreu muitas alterações nas últimas décadas, muito para além da sua conhecida quebra no conjunto da atividade económica nacional. Foram vencidos alguns constrangimentos ecológicos, muito por força dos trabalhos de hidráulica agrícola, assim como a política económica para o setor alterou-se radicalmente à medida que a «lavoura», entre outros factores, se industrializou trazendo boas - especialização, aumento produtivo - e más consequências - perda de biodiversidade. 

Este tipo de questões só podem ser compreendidas à luz de uma visão de longa duração que, esperançosamente, o projeto Agriculture in Portugal: Food, Development and Sustainability (1870-2010) irá conceder.

Quanto ao caso do vinho alentejano, certamente há quem saiba os motivos da ausência tardia. Recordo-me de alguém me falar na proibição da plantação de vinhas no Alentejo, mas sinceramente ainda não sei responder com precisão. Se algum dos leitores souber, por favor deixe o seu contributo na caixa de comentários.

terça-feira, 14 de maio de 2013

O Mercado florestal de cortiça do Alto Alentejo e Extremadura (1830-1910)


Na próxima sexta-feira, dia 17 de Maio, participarei no II Encontro de História Contemporânea que se realizará na Universidade de Évora. A minha sessão está prevista para as 15h30, conforme o programa do encontro

O texto que irei apresentar conjuntamente com o meu amigo Francisco Parejo Moruno da Universidad de Extremadura, pode ser encontrado aqui. Este, no entanto, constitui apenas uma primeira investigação neste tema, como, aliás, nós explicamos, pelo que as principais questões de carácter empresarial estão ainda por explorar.

Produção regional de cortiça (1905)

Nota: O Distrito de Lisboa compreendia à época todo a área que viria a ser, a partir de 1926, o Distrito de Setúbal. Desta forma fica explicado a produção tão elevada deste distrito.

Já a Ana Isabel irá também participar, mas no dia anterior, com uma comunicação relacionada com a assistência no distrito de Portalegre, no século XIX, fruto das suas investigações.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Balanço do primeiro «Café com Letras» - negócio corticeiro norte-alentejano

              No passado dia 16 de Março teve lugar, na Fábrica do Arroz, em Ponte de Sor, o primeiro de quatro encontros previstos para o ano de 2013, denominados «Café com Letras». A organização destes eventos está a cargo do núcleo de Ponte de Sor da Associação Nova Cultura, sendo coordenados por Carlos Manuel Faísca. Nesta primeira sessão discutiu-se o «negócio corticeiro norte-alentejano», a partir das intervenções do próprio Carlos Manuel Faísca, doutorando em História Económica, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, sob a orientação do economista Pedro Lains, e de Pedro Mourisco, mestrando em Empreendedorismo no Instituto Politécnico de Portalegre.

(Carlos Manuel Faísca. Foto de Aníbal Oliveira)

            O primeiro comunicante, após explicar os motivos por detrás da vantagem comparativa no comércio internacional da cortiça portuguesa, abordou, numa perspetiva comparada, dois momentos cruciais do negócio corticeiro português: o seu arranque tardio no contexto europeu (1830-1914); e a ascensão de Portugal a líder mundial do setor corticeiro (1929-1960). Neste último ponto foram destacadas algumas causas estruturais para que Espanha, que gozava até então de uma posição hegemónica, tenha passado a deter um papel secundário, já que Portugal experienciou um rápido e vigoroso crescimento, graças ao qual conquistou todas as facetas deste negócio: florestal, industrial e comercial. Para o conseguir, existiu, entre outros fatores, um forte papel da política económica do Estado. Finalmente, foi também traçada a evolução regional e local deste setor, durante os últimos cento e oitenta anos.

(Pedro Mourisco. Foto de Aníbal Oliveira)

           Pedro Mourisco começou por salientar o difícil momento em que vive a economia portuguesa, com especial impacto nas regiões de interior. Por esse motivo, na sua opinião, cabe às populações locais trabalharem em conjunto para o desenvolvimento económico das regiões periféricas portuguesas já que, dificilmente, o governo central o fará. Em seguida, o segundo comunicante apresentou o seu projeto de living lab. Este consiste na criação e dinamização de um conceito estratégico para a região de Ponte de Sor, com base no Cluster de cortiça presente em Ponte de Sor. Após elucidar este último conceito, o jovem economista apresentou diversas ideias para a dinamização do Cluster de Ponte de Sor, que incluíram ainda o papel que os principais os atores locais poderão ter neste tipo de projeto. Para o atingir, Pedro Mourisco recorreu a uma análise estratégica, que, entre outras ferramentas, utilizou uma Matriz Tows, de forma a criar condições desenvolvimento para região, bem como para atrair investimento neste Cluster. Por último, foram ainda levantadas várias questões: se existe uma aposta na formação relacionada com este Cluster? Se os poderes locais têm consciência deste Cluster? E qual é o futuro de Ponte de Sor?

            Após as duas apresentações, seguiu-se, durante aproximadamente uma hora, um intenso debate acerca do presente e do futuro desta atividade crucial na economia norte-alentejana, com diversos contributos vindos de uma audiência bastante heterogénea e que contou com cerca de três dezenas de participantes. As principais conclusões prenderam-se essencialmente com a necessidade de, por um lado, se apostar na formação profissional nesta área, tal como, no passado, a Junta Nacional de Cortiça (1936-1972) o fez; e, por outro, se inverter a política económica para o setor florestal que, infelizmente, parece querer apostar em espécies onde Portugal, ao contrário da cultura suberícola, não detém uma vantagem comparativa no comércio internacional.

(Assistência. Foto de Aníbal Oliveira)

            Saliente-se que, em relação à primeira questão, Fátima Pinheiro, professora da Escola Secundária de Ponte de Sor, adiantou que aquele estabelecimento de ensino propôs, no ano transato, a constituição de uma turma de formação profissional vocacionada para o setor da cortiça, contando, para esse efeito, com o apoio dos encarregados de educação dos cerca de 20 alunos interessados. Porém, o pedido foi recusado pelo Ministério da Educação. Conclui-se então que as autoridades centrais portuguesas não estão a prestar a devida atenção a uma das principais riquezas nacionais.   

            Os «Café com Letras» irão prosseguir, em Junho de 2013, abordando a desertificação do Alentejo, com a participação de Elisa Silva (ICS/UL), a partir do exemplo das tentativas de colonização interna da região, durante o Estado Novo; a emigração científica, com a participação de Tiago Brandão (IHC da FCSH/UNL), em Setembro de 2013, tendo como base o caso de Joaquim Barradas de Carvalho, com raízes familiares profundas no concelho de Ponte de Sor; e a desigualdade social e de rendimento, com a presença novamente de Carlos Manuel Faísca, agora acompanhado por Bruno Lopes (CIDEHUS da U. de Évora), em Novembro/Dezembro de 2013.

            No final, a organização fez ainda questão de convidar os presentes a assistirem ao ciclo «Encontros com a História 2013», promovido por Ana Isabel Silva, já que as duas iniciativas são complementares. A próxima sessão terá lugar em finais de Abril, no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor, com o tema “150 anos da chegada do caminho-de-ferro a Ponte de Sor”.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Ciclo de Café com Letras em Ponte de Sor - 2013

Como já tínha anunciado irei organizar, com o apoio do núcleo de Ponte de Sor da Associação Nova Culturaum ciclo de «Café com Letras» que pretende estimular, entre a população local, a reflexão e o debate sobre alguns assuntos de interesse regional, que naturalmente estão inseridos em dinâmicas de âmbito nacional e internacional. O ponto de partida é uma análise histórica de longa duração, levada a cabo por jovens especialistas, para que posteriormente o público em geral, e os pontessorenses em particular, possam contribuir para um debate sobre temas que lhes são próximos e que, ao mesmo tempo, exercem uma grande influência no seu quotidiano.



Assim, no próximo dia 16 de Março, pelas 21h30, na Fábrica do Arroz, em Ponte de Sor, discutir-se-á o negócio corticeiro norte-alentejano, que, desde meados do século XIX, se constituiu como um dos principais elementos da economia regional. Em breve enviaremos um convite com maior detalhe deste primeiro «Café com Letras».

Nos encontros seguintes será abordada a desertificação do Alentejo (Junho de 2013), a partir do exemplo das tentativas de colonização interna da região, durante o Estado Novo; a emigração científica (Setembro de 2013), tendo como base o caso de Joaquim Barradas de Carvalho, um historiador com raízes familiares profundas no concelho de Ponte de Sor; e a desigualdade social e de rendimento (Novembro/Dezembro de 2013).

A estes eventos, junta-se o ciclo de "Encontros com a História" promovido pela Ana Isabel e que terá lugar periodicamente no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor. O primeiro está já marcado para o próximo dia 23 de Fevereiro, pelas 16h00.

Neste sentido, gostaríamos de convidar os nossos leitores a estarem presentes, bem como pedir-vos que divulguem, dentro das vossas possibilidades, estes eventos. 

Para mais informações visitem este espaço ou enviem um e-mail para cmsaff@gmail.com

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Cliometria: definição e um pouco da sua História


Cliometria é um termo que surgiu no início da década de 1960 (Tosh e Lang 2009, 273; Cardoso 2011, 494), no meio académico norte-americano, contando por isso com aproximadamente cinco décadas de existência. A este conceito está subjacente uma abordagem económica ao processo histórico, cujo ponto de partida é uma rigorosa especificação da hipótese de trabalho formulada a partir da teoria económica, à qual se segue uma exaustiva recolha de dados empíricos quantificáveis, tratados posteriormente através do recurso a métodos quantitativos de carácter econométrico (O’Brien 1977, 13; Cardoso 2011, 489–490). Procurou-se então introduzir na história económica métodos, conceitos e teorias derivados da economia, que, segundo os seus defensores, poderiam ultrapassar algumas das limitações dos métodos históricos tradicionais na análise das economias do passado (O’Brien 1977, 13). É muito provavelmente por este motivo que, desde o seu início, a cliometria foi também designada de «nova história económica» ou «história econométrica» (Fogel 1966; O’Brien 1977).

A entrada da cliometria no campo da história económica suscitou alguma controvérsia, tendo-se criticado o seu foco excessivamente económico que subalternizou demasiado a análise histórica em problemas que, situando-se no passado, são também objeto da história. Contudo, a abordagem cliométrica obteve um sucesso bastante significativo no seio da história económica, levando a que alguns autores tenham chegado a afirmar que esta substituiu por completo qualquer outro paradigma de investigação nesta área, tornando-se ela própria «a história económica» (Heckman 1997, 404). Ainda que nos Estados Unidos da América e, possivelmente, no espaço anglo-saxónico esta afirmação possa estar relativamente próxima da realidade, tal não será o caso da historiografia económica de determinados países europeus como, por exemplo, Espanha, França, Alemanha e Portugal (Cardoso 2011, 495–496). No entanto, mesmo nestes países, assim como no caso concreto da Península Ibérica, é atualmente comum a existência de investigação cliométrica, sendo uma das suas manifestações mais evidentes a realização periódica de encontros científicos especificamente sujeitos a esta abordagem – os Iberometrics.

O crescimento das publicações de carácter cliométrico não esteve certamente dissociado de algumas correções que esta abordagem foi implementando (Greif 1997) e, consequentemente, do decréscimo do ceticismo em relação à cliometria de um maior número de historiadores internacionais; todavia, a historiografia económica portuguesa mantém ainda, como certamente outros historiadores de outros países mantêm, algumas reservas face a esta abordagem (Cardoso 2011, 488). Neste sentido, já no início do século XXI, Fernando Rosas (Rosas 2000, 14–16) publicou, na introdução de uma das suas obras, um texto em que critica duramente a utilização desta «nova história económica», a qual já contava, à data dessa publicação, com cerca de quarenta anos de prática a nível internacional e cerca de vinte anos no seio da historiografia económica portuguesa (Cardoso 2011, 494).

Para mais leituras:

Cardoso, José Luís. 2011. «Entrevista a Jaime Reis». Análise Social 46 (200): 484–499.

Fogel, Robert William. 1966. «The New Economic History». The Economic History Review 19 (3): 642–656.

Greif, Avner. 1997. «Cliometrics After 40 Years». The American Economic Review 87 (2) (Maio 1): 400–403. doi:10.2307/2950953.

Heckman, James J. 1997. «The Value of Quantitative Evidence on the Effect of the Past on the Present». The American Economic Review 87 (2) (Maio 1): 404–408. doi:10.2307/2950954.

O’Brien, Patrick. 1977. The new economic history of the railways. London: Croom Helm.

Sardica, José Miguel. 1993. «Recensão a Carlo Cipolla. (Recensão do livro «Entre la História Y La Economia - Introducción a la História Económica)». Penélope (9/10): 259–262.

Tortella, Gabriel. 2002. Introducción a la economía para historiadores. 3a ed. Madrid: Tecnos.

Tosh, John, e Sean Lang. 2009. The pursuit of history. Harlow: Longman.

Whaples, Robert. 1991. «A Quantitative History of the Journal of Economic History and the Cliometric Revolution». The Journal of Economic History 51 (2): 289–301.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O preço da crise: níveis de vida no Portugal seiscentista


            Hoje foi publicado, finalmente, um artigo que conclui algures no final de 2011. Uma versão preliminar está disponível aqui, para quem quiser dar-se ao trabalho de o ler. Revisitando o meu próprio trabalho, apraz-me dizer que se o fosse fazer de novo, este seria escrito de uma forma diferente, possivelmente com uma maior crítica de fontes, no sentido de reforçar o rigor dos dados quantitativos, já que este projeto responsável pela recolha de dados esforçou-se bastante por diversificar  as fontes documentais.
            Adicionalmente, entre outros aspetos, não escrevia esta frase desta forma “ (…) Nestes locais, pelo contrário, presenciou-se uma economia de “salários altos”, com particular foco, a partir do século XVIII, em Inglaterra, sendo este factor apontado por Robert Allen como uma das principais causas da Revolução Industrial Britânica (…)”. Não que seja mentira, mas pode dar a impressão que a explicação de Allen se baseia somente no elevado custo  da mão-de-obra, quando, na realidade, isso é só metade do problema. De qualquer forma, em nota de rodapé, está explícito “Para uma explicação detalhada ver ALLEN, Robert C. - The British Industrial Revolution in Global Perspective. Cambrigde: University Press, 2009”. Ainda assim, podia tê-lo expressado de outra forma. Tive  oportunidade de corrigir durante a fase de revisão provas, mas achei que era pouco ético fazê-lo, já que foi daquela forma que o artigo foi submetido. 

Bom, mas acho que tudo isto é normal, passou mais de um ano e nesse período de tempo, felizmente, aprendi muita coisa.Fica o registo. Aos que o forem ler (que não devem ser muitos) espero que gostem.   

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Expansão da área de montado de sobro: algumas dúvidas e problemas


Devido à crescente importância da exploração de cortiça, na segunda metade do século XIX, existiu um aumento da produção desta matéria-prima, ao qual correspondeu, naturalmente, uma expansão da área de sobreiros. Assim, no final de Oitocentos, a superfície de montado de sobro alentejano teria quase triplicado (MARTINS 2005, p. 246). 

Tem sido defendido que não existiu qualquer política pública de fomento florestal que favorecesse a expansão da área de montado de sobro, tendo a mesma cabido exclusivamente à iniciativa privada, adiantando-se ainda que os sobreiros vieram ocupar terrenos previamente incultos. Desta forma, o aumento da superfície de montado de sobro ter-se-ia feito essencialmente com recurso a pequenos investimentos, visto que os seus executantes se limitaram ao aproveitamento da regeneração natural do sobreiro, ao invés de recorrerem a técnicas mais exigentes como a sementeira ou a plantação (Mendes 2002, 46–49).

Este facto acaba por ser um pouco estranho, na minha opinião, devido, precisamente, ao peso que a cortiça  tinha, neste período, na economia portuguesa. Mas parece que poderá corresponder à realidade. Ontem, encontrei um relatório do Conselho Distrital de Agricultura de Beja, datado de 1904, que, após ter assinalado a produção de cortiça como uma das principais do distrito, sobretudo no concelho de Odemira, previa uma dotação orçamental significativa na aquisição de penisco (sementes de Pinheiro) para a florestação da Serra do Caldeirão, no concelho de Mértola.  

Será que, naquele solo específico, o sobreiro tem dificuldades de implantação? Na realidade, ao atendermos à produção de cortiça, em 1916, a verdade é que na região do Sudeste de Portugal - concelhos de Serpa, Mértola, Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António -  a produção é quase nula, com exceção de Alcoutim, onde mesmo assim se afigura como bastante modesta. 

Figura 1 - Distribuição da produção concelhia de cortiça em Portugal (1916-18)



Neste caso, o mapa geral de Vieira Natividade tem de ser olhado meramente como indicativo e não como possuindo grande detalhe.

Figura 2 - Distribuição  "natural" do sobreiro 



Ou será que a exploração de madeira de pinho era também ela bastante lucrativa? Talvez, nas serranias de Mértola, o pinheiro tivesse uma melhor adaptação ao terreno. Por outro lado, o principal objetivo desta florestação era estabilizar o solo mertolense, permitindo que, no Inverno, a água das chuvas não provocasse inundações nos vales semeados, e, no Verão, que a humidade do solo não se evaporasse rapidamente. Será que o sobreiro não cumpre tão bem estas funções?

Mas mesmo que assim seja neste caso específico, a verdade é que o Estado investiu uma soma na sementeira florestal (50 mil réis), porque motivo não o fez em relação à principal produção florestal portuguesa da época? Ou será que o fez e o assunto está por investigar?

Por último, uma pergunta muito mais ambiciosa e geral. Revisitando o trabalho clássico de Jaime Reis (Reis 1993) será que, no caso do Estado (mas não só) ter apostado no aumento da produção corticeira, e, ao mesmo tempo, promovido a indústria corticeira portuguesa transformadora, poderia este setor ter conduzido à convergência da economia portuguesa com os países mais desenvolvidos, devido ao efeito de arrastamento das exportações corticeiras no conjunto global da economia nacional? O autor diz-nos que a produção deste matéria-prima teria que ser, no final do século XIX, consideravelmente maior para que isso pudesse acontecer, sendo que, neste período, já não restavam grandes quantidades de terrenos com condições apropriadas para o alargamento da superfície de montado de sobro. Assim, a extração de cortiça continuou a crescer, mas de forma lenta, atingido as 93 mil toneladas em 1913.

Porém, ela andou próxima das 200 mil toneladas no início dos anos 1950, ou seja, de alguma forma ela acabou por crescer bastante e não me parece (acho eu) que tenha existido, entretanto, alguma inovação técnica que tenha tornado possível plantar sobreiros em solos mais pobres. 

Será que, com uma política concertada desde meados do século XIX, teria sido possível chegar-se ao início do século XX com elevados níveis de produção, desencadeando o processo atrás referido? Mas a questão é um pouco mais complexa, já que o aproveitamento da cortiça de pior qualidade só se tornou possível com a diversificação de produtos industriais (entre os quais o aglomerado de cortiça) que a Portugal só chegaram já no século XX. Desta forma, talvez esta última questão seja, na realidade, uma falsa questão com pouca pertinência, ou talvez todas estas o sejam, mas é algo que terei que compreender, com a ajuda de quem percebe mais disto do que eu.

Bibliografia:


Martins, M.C. Andrade. 2005. «A agricultura». Em História Económica de Portugal, 1700-2000, by Pedro Lains e Álvaro Ferreira da Silva, Vol. II: O século XIX:219–259. Lisboa: ICS.

Mendes, Américo Carvalho. 2002. A economia do sector da cortiça em Portugal: Evolução das actividades de produção e de transformação ao longo dos séculos XIX e XX. Working Paper. Porto: Universidade Católica Portuguesa.

Natividade, J. Vieira. 1950. Subericultura. Lisboa: Ministério da Economia - Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas.

Reis, Jaime. 1993. O atraso económico português em perspectiva histórica : estudos sobre a economia portuguesa na segunda metade do século XIX, 1850-1930. Lisboa: Impr. Nacional Casa da Moeda.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Produção Industrial de Cortiça em Ponte de Sor e rendimentos do montado pontessorense (1952)

Há dias, no âmbito do projeto "Agriculture in Portugal: Food, Development and Sustainability (1870-2010)", dei comigo perante mais de 280 inquéritos agrícolas de florestais, elaborados nos anos 1950, de outros tantos concelhos de Portugal Continental. Tenho-os, provisoriamente, no gabinete que me foi cedido no ICS/UL. Aproveitei para dar uma vista de olhos nos relatórios dos concelhos que de alguma forma têm uma relação comigo. Infelizmente, os relatórios relativos a Tavira e Lisboa (se é que houve algum destinado à capital portuguesa) não constam deste lote. Ainda assim, tenho acesso aos relatórios do concelho de Ponte de Sor e Castro Marim.

Admito que estou impressionado com o nível de detalhe da informação que estes inquéritos contêm, pois são descritas minuciosamente todas as atividades florestais, a estrutura da propriedade agrícola, a ocupação do território, toda a produção agrícola, os níveis dos salários agrícolas, as indústrias existentes e....muito, mas MUITO mais!




Só sobre o setor corticeiro, o qual pretendo estudar para um período mais recuado (1834-1914), ficamos a saber a superfície de montado em cada concelho, a quantidade de cortiça extraída, a produção industrial concelhia e os lucros daí resultantes, entre outros aspetos. Imaginar que esta informação existe para todo o território nacional, dá-me quase vontade de alterar o âmbito cronológico da minha tese, mas não o farei. O setor corticeiro português conta já com diversos estudos para o seu período mais florescente, isto é, o século XX, e o mais estimulante é investigar em terreno menos explorado.

Deixo-vos aqui informação sobre a produção industrial de cortiça, no concelho de Ponte de Sor, em 1952, e também um outro quadro que demonstra como este produto era de longe o mais importante para a economia local.

Quadro 1 - Produção industrial de Cortiça em Ponte de Sor (1952)


Nome da Empresa
Produção (arrobas)
António Rodrigues Carrusca
70.000
Empresa Industrial de Pimentão
50.000
João Lobato
12.000
Joaquim Prates
35.000
José de Matos
25.000
Manuel de Sousa Eusébio
10.000
Mundet & Cª, Lda.
280.000
Total
482.000












Quadro 2 - Rendimento retirado dos montados do Concelho de Ponte de Sor (1952)





Produto
Valor
(contos)
Cortiça
27.307
Carne de Porco
3.786
Pastagem
483
Árvores abatidas
1.030
Despejos de poda
4.680
Total
37.286




P.S. 1 - Também existem informações sobre a Fábrica de Moagem e Descasque de Arroz cujo edíficio é hoje o Centro de Artes e Cultura, mas isso fica para uma outra oportunidade.

P.S. 2 - Se alguma entidade, individual ou coletiva, estiver interessada em apoair a publicação deste relatório, pode falar comigo que, caso não existam problemas legais com os direitos de autor, a equipa do projeto está interessada em fazê-lo.